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  • 20 de out. de 2025
  • 2 min de leitura


Resumo Por Capítulo: Nebulosas

Prefácio

V


O prefácio apresenta Narcisa Amália como poeta de alto fôlego lírico e intelectual, capaz de cantar Família, Pátria e Humanidade com ambição grandiosa e consciência crítica — a família como pilar, a pátria como cruz, a humanidade como paradoxo divino. O autor afirma que ela domina escolhas de assunto, ponto de vista, ocasião e extensão com rigor “de regras”, aproximando-se, na eloquência, de Bossuet e Mont’Alverne. Exalta especialmente sua arte descritiva: a topografia poética atinge auge na paisagem do Itatiaia, comparável à de Virgílio, e tangencia o que chama de hipotipose — a descrição vívida que faz ver a montanha, a tempestade, o meteoro. Cita ainda um paralelo com João Cardozo de Menezes ao retratar serras brasileiras. Em termos de técnica, enxerga no livro uma profusão deliberada de figuras: acumulação para intensificar ideias; hipérboles assumidas; antíteses e epifonemas; aposiopeses, gradações, alusões, “figuras de movimento e paixão”; além de raridades como a optação. Pleonasmos e silépses seriam, aqui, recursos disciplinados, a serviço de um efeito total que transforma o volume num “templo” com altar de lágrimas.

O prefaciador percorre peças exemplares: “25 de Março” surge como anátema e ameaça política; “Resende” condensa a saudade como monografia de um exílio interior. A lírica de Narcisa, diz ele, participa da linhagem dos hinos sacros — do Magnificat ao Te Deum — e “Os Dois Troféus” assume a forma exigente da ode heroica, à altura de modelos europeus como a ode de Lebrun sobre o terremoto de 1755 (ainda que não necessariamente na mesma elevação). Nessa chave, sustenta que, em um regime politicamente sensível às suas alusões, o canto de Narcisa vingaria injustiças, e profetiza: quando a República Política premiar a República Literária, ela exercerá “ditadura” — imagem hiperbólica para seu futuro prestígio. Situa sua posição ideológica: não é descrente por moda (como os imitadores de Musset) nem cética à maneira de Goethe; é republicana, como Schiller, Tétis da Cunha e Landulpho, intransigente no sentido de convicção. Imagina o entusiasmo que sua obra despertaria em Coimbra, onde sua voz poderia comentar, com autoridade emotiva, tragédias como a de Inês de Castro.

Quanto ao ethos e ao estilo, o texto sublinha uma individualidade leal, incapaz de fingimento, desinteressada de riquezas e movida por fé e crença no trabalho do talento. O estilo é vigoroso, fluente, “acadêmico”, de curvas eufônicas exigidas pelo verso lírico; possui um “ponto de fixidez imaginativa” que convive com a vivacidade da emoção, garantindo expressão forte e concisa. A autora teria imagens tão novas que demandam “nova retórica” e “nova poética”, e se recusa a dourar trivialidades com palavras grandiloquentes. Sua prosa crítica, já exibida em periódicos luso-brasileiros, mostraria seriedade e densidade; em sátira, “O Baile” é destacado como modelo de ironia discreta. O prefácio, por fim, a aconselha: escrever um poema didático e, se necessário pelos embates da inveja, um épico — tendência compatível com sua índole. Em chave laudatória e profética, conclui que os literatos brasileiros dirão, melhor do que ele, o que ainda não conseguiu narrar: a dimensão do talento de Narcisa Amália.




 
 
 

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