- 20 de out. de 2025
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Prefácio
VI
O prefaciador, Pessanha Póvoa, dirige-se a um coro de nomes ilustres das letras, pedindo-lhes explicitamente que reservem “um lugar de honra” para a autora de Nebulosas. Esse gesto funciona como carta de recomendação pública e ato de legitimação, convocando a autoridade do cânone para acolher uma voz então marginal.
Em seguida, ele cria uma metáfora histórica: como o povo hebreu, o brasileiro ter-se-ia vivido sob cativeiro — submetido a leis alheias e limites impostos —, mas agora haveria uma redenção que permite celebrar “as festas da inteligência” em todos os altares onde a glória se ergue.
O livro, declara, nasce com esse propósito emancipador e, por isso, recusa “a abóbada oca dos clássicos”, sinalizando um afastamento consciente do formalismo e da tradição rígida em favor de uma expressão mais livre, moderna e afirmativa do valor intelectual de Narcisa Amália.
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