- 4 de nov. de 2025
- 19 min de leitura
Atualizado: 20 de abr.
O Retrato de Dorian Gray Oscar Wilde
Texto Original Completo (em domínio público)
Capítulo IV
Numa tarde, um mês depois, Dorian Gray estava reclinado numa poltrona luxuosa, na pequena biblioteca da casa de Lord Henry, em Mayfair. Era, à sua maneira, um aposento encantador, com suas altas lambris de carvalho tingido de oliva, o friso e o teto cor de creme em estuque rendilhado, e o tapete felpudo cor de tijolo salpicado de sedosos tapetes persas de franjas longas. Sobre uma mesinha de madeira de satinwood havia uma estatueta de Clodion e, ao lado, um exemplar de Les Cent Nouvelles, encadernado por Clovis Eve para Margarida de Valois e salpicado das margaridas douradas que a Rainha escolhera como emblema. Alguns grandes vasos de porcelana azul e tulipas exóticas estavam dispostos sobre a lareira, e através dos pequenos vitrais de chumbo da janela penetrava a luz alaranjada de um dia de verão em Londres.
Lord Henry ainda não tinha chegado. Estava sempre atrasado por princípio—seu princípio era que a pontualidade é o ladrão do tempo. Assim, o rapaz tinha um ar aborrecido, enquanto folheava com dedos indolentes as páginas de uma edição ricamente ilustrada de Manon Lescaut que encontrara numa das estantes. O tique-taque formal e monótono do relógio Luís XIV o incomodava. Por duas vezes pensou em ir embora.
Por fim, ouviu passos do lado de fora, e a porta se abriu.
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