- Bruno Alves Pinto

- 21 de nov. de 2025
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Capítulo IV
O capítulo começa com Dorian, um mês depois dos acontecimentos anteriores, esperando Lord Henry na biblioteca elegante de sua casa. Antes que ele chegue, aparece Lady Henry, figura frívola e nervosa, que conversa superficialmente sobre música e sociedade, servindo como contraponto cômico e como retrato do casamento de aparência de Harry. Quando Lord Henry entra, solta aforismos céticos sobre pontualidade, casamento e mulheres, e Dorian revela—corando—que está apaixonado por uma atriz chamada Sibyl Vane.
Instigado por Henry, Dorian narra como, movido pela curiosidade e pelas ideias hedonistas do amigo, se perdeu pelo Leste de Londres e acabou num teatro decadente onde representavam Shakespeare. Apesar do cenário e do elenco medíocres, Sibyl, muito jovem, irrompe como Julieta com beleza e uma voz que o arrebata. Fascinado, ele passa a vê-la todas as noites, em papéis de Shakespeare: Rosalinda, Imogênia, Ofélia, Desdêmona. Dorian não a ama como pessoa comum, mas como soma das grandes heroínas—quando Henry pergunta quando ela é “Sibyl Vane”, ele responde: “Nunca”. Nos bastidores, a moça o chama de “Príncipe Encantado”; vive com a mãe, e está presa por contrato ao dono do teatro. Dorian declara que quer comprá-la desse contrato, lançá-la no West End e fazê-la famosa; convida Henry e Basil para vê-la como Julieta no dia seguinte, e marca o encontro com ansiedade juvenil. Nesse meio-tempo, admite ter se afastado de Basil, embora admire o retrato que recebeu dele.
Henry, por sua vez, reage sem ciúme: a paixão de Dorian o interessa como “caso” a ser observado. Em monólogo interior, ele se deleita com a própria influência sobre o rapaz e teoriza sobre vida e arte: a experiência é “o nome que os homens dão aos próprios erros”; fidelidade e coerência seriam hábitos inertes; alma e corpo entrelaçam-se de modo indecidível; só o método experimental—testar sensações e paixões na própria vida—permite conhecer a natureza humana. Dorian, com beleza e inocência já incendiadas pelo desejo, torna-se para ele um experimento vivo, uma obra de arte em processo.
O capítulo encerra com um golpe rápido: já de madrugada, Henry encontra um telegrama de Dorian anunciando que está noivo de Sibyl Vane—culminância de uma paixão que o texto pinta como idealização estética e precipitação romântica, e que, ao mesmo tempo, confirma para Henry a “hipótese” de sua filosofia de influência e experimentação.
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