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  • 15 de out. de 2025
  • 1 min de leitura

Atualizado: 16 de out. de 2025


Nebulosas Narcisa Amália


Texto Original Completo (em domínio público)

Primeira Parte

Aflita


Por ele só há fé nas asas dos ventos, O som lisonjeiro dos gárrulos acentos! Ah, retorna, ah, retorna!... aperta-me ao teu coração E dias ditosos — viveremos de amor!

O Guarani

Desde a hora fatal em que partiste, Turbou-se para mim o azul do céu! Cobri-me com o manto da tristeza, Como Safo na espuma do escarcéu!

Até então o arcanjo da procela Não enlutara o lago das quimeras, Onde minh’alma, garça languorosa, Brincava à luz de etéreas primaveras.

Mas um dia atraindo ao vasto peito Minha pálida fronte de criança, Murmuraste tremendo: — “Parto em breve; Mas não te aflijas, voltarei, descansa!”

Ai! Que epopeia túrgida de lágrimas Na comoção daquela despedida! Eu soluçava envolta em véu de prantos: “Quando voltares, já serei sem vida!”

Desde então, comprimindo as angústias, Vou te esperar à beira do caminho; Voltam cantando ao sol as andorinhas, Só tu não voltas ao deserto ninho!...

Quando a tribo inquieta das falenas Bebe filtros nas cílias da campina, Busco da redenção o augusto símbolo, E desfaleço de amor como Corina!

Pois bem! Se enfim voltares desse exílio, Ave errante, fugindo à quadra hibernal, Vem à sombra do vale: sob os ciprestes Comigo fruirás ventura eterna!




 
 
 

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