- 19 de mai.
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Capítulo II
Victor conta que, aos dezessete anos, seus pais decidiram enviá-lo à universidade de Ingolstadt para completar sua formação e conhecer costumes diferentes dos de Genebra. Antes da partida, porém, ocorre a primeira grande perda de sua vida: Elizabeth contrai escarlatina e se recupera, mas Caroline, mãe de Victor, insiste em cuidar dela antes que o risco de contágio passe. Poucos dias depois, adoece gravemente e morre. No leito de morte, une as mãos de Victor e Elizabeth, reafirmando o desejo de vê-los casados no futuro, e pede que Elizabeth ocupe seu lugar no cuidado da família.
A morte da mãe mergulha a casa em tristeza e adia a viagem de Victor. Ele reflete sobre o vazio deixado por uma presença amada e sobre a lentidão com que a mente aceita uma perda definitiva. Mesmo assim, reconhece que os vivos precisam seguir seus deveres. Nesse período, Elizabeth assume com firmeza o papel que lhe foi confiado: consola Victor, anima o tio, orienta os irmãos mais novos e procura restaurar a felicidade doméstica, esquecendo-se de si mesma para cuidar dos outros.
Quando finalmente chega o dia da partida, Victor se despede dos amigos e passa a última noite com Henry Clerval, que lamenta não poder acompanhá-lo. O pai de Clerval deseja que ele se torne comerciante e considera o saber pouco útil para a vida prática, embora Henry acredite ser possível unir trabalho e formação intelectual. Na manhã seguinte, Victor parte abalado, sentindo pela primeira vez a solidão de se afastar de seu círculo familiar. No início, teme a convivência com desconhecidos, mas, durante a viagem, suas esperanças renascem: ele deseja conhecimento e também ansiava por entrar no mundo.
Em Ingolstadt, Victor visita alguns professores, entre eles Krempe, de filosofia natural. Ao mencionar que estudara autores como Agrippa, Paracelso e Alberto Magno, é duramente ridicularizado. Krempe afirma que ele desperdiçou tempo com ideias ultrapassadas e deve recomeçar os estudos do zero. Embora Victor já desconfiasse daqueles autores antigos, a grosseria e a aparência desagradável do professor o afastam da ciência moderna. Ele ainda sente que a filosofia natural contemporânea troca grandes sonhos — como imortalidade e poder — por realidades menores e sem encanto.
Essa resistência muda quando Victor assiste, quase por acaso, a uma aula de Waldman, professor de química. Diferente de Krempe, Waldman é benevolente, claro e inspirador. Em sua exposição, apresenta a história da química, reconhece os erros dos antigos, mas também valoriza seu esforço, e mostra que os cientistas modernos, embora prometam menos, realizam feitos concretos: investigam os processos ocultos da natureza, compreendem o ar, a circulação do sangue, a eletricidade e outros poderes antes misteriosos. A aula causa forte impressão em Victor.
Mais tarde, Victor visita Waldman em sua casa e encontra nele ainda mais gentileza. O professor ouve sua trajetória sem desprezo, explica que mesmo pesquisadores equivocados podem contribuir para o progresso humano e recomenda que ele estude não apenas química, mas todos os ramos da filosofia natural, incluindo matemática. Também lhe mostra o laboratório, orienta suas futuras leituras e promete apoio. Victor encerra o capítulo reconhecendo esse encontro como decisivo: aquele dia fixou o rumo de seu destino.
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