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  • 19 de mai.
  • 3 min de leitura


Resumo Por Capítulo: Frankenstein ou O Prometeu Moderno


Capítulo I


O narrador inicia apresentando sua origem em Genebra e a posição respeitada de sua família. Seu pai, homem íntegro e dedicado à vida pública, só se casou já mais velho. O casamento nasceu de um gesto de amizade e proteção: ao descobrir que o antigo amigo Beaufort havia caído na pobreza e morrido, deixando a filha Caroline órfã e sem recursos, ele a levou para Genebra, confiou-a aos cuidados de uma parenta e, dois anos depois, casou-se com ela. A partir daí, passou a dedicar-se mais à família e à educação dos filhos.

Victor descreve uma infância marcada por afeto, harmonia e liberdade. Durante alguns anos foi filho único e recebeu dos pais cuidado constante. Depois, a família acolheu Elizabeth Lavenza, filha da irmã falecida de seu pai, trazida da Itália para ser criada como filha. Elizabeth torna-se sua companheira de brincadeiras, amiga íntima e, desde cedo, é vista pela mãe de Victor como sua futura esposa. Ela é apresentada como doce, afetuosa, alegre e imaginativa, alguém amado por todos da casa e capaz de suavizar as relações ao seu redor.

O contraste entre Victor e Elizabeth aparece como uma harmonia de diferenças. Ele se considera mais calmo, filosófico e interessado em investigar os segredos do mundo real; ela se inclina às criações da imaginação e da poesia. A esse círculo se junta Henry Clerval, amigo de escola de Victor, menino criativo e fascinado por romances de cavalaria, que participava constantemente da vida familiar. A educação deles era conduzida sem castigos ou competição: aprendiam por interesse, curiosidade e desejo de agradar, de modo que o estudo se tornava uma extensão natural de suas diversões.

Ao recordar esse período feliz, Victor já o contrasta com a desgraça futura. Ele procura identificar a origem da paixão que mais tarde governaria seu destino e a encontra em seu interesse pela filosofia natural. Aos treze anos, durante uma estadia forçada numa estalagem por causa do mau tempo, descobre um livro de Cornelius Agrippa. A leitura desperta nele entusiasmo intenso por teorias antigas e maravilhosas. Quando mostra o livro ao pai, recebe apenas uma censura vaga, sem explicação. Victor acredita que, se tivesse sido orientado de modo claro para a ciência moderna, talvez seu caminho tivesse sido diferente; mas, sem essa orientação, continua lendo com avidez.

De volta para casa, Victor procura as obras de Agrippa, Paracelso e Alberto Magno, mergulhando em ideias ligadas à pedra filosofal, ao elixir da vida e à evocação de espíritos. O que mais o atrai não é a riqueza, mas a possibilidade de vencer a doença e tornar o ser humano quase invulnerável. Como sua família não tinha formação científica e ele ainda não frequentara aulas capazes de corrigir suas fantasias, esses autores dominam por um tempo sua imaginação. Aos poucos, porém, experiências com fenômenos naturais, como vapor, bombas de ar e eletricidade, começam a abalar a confiança nesses antigos mestres.

O momento decisivo ocorre quando, aos quinze anos, Victor presencia uma tempestade violenta perto de Belrive. Um raio destrói completamente um carvalho próximo à casa, reduzindo-o a tiras de madeira. Espantado, ele pergunta ao pai sobre a origem do fenômeno e recebe explicações sobre a eletricidade, acompanhadas de pequenos experimentos. Isso derruba definitivamente sua fé em Agrippa e nos outros autores antigos, mas, por uma espécie de desvio fatal, ele não se entrega então à ciência moderna. Uma aula de filosofia natural, assistida já no fim do curso e cheia de termos incompreensíveis, o afasta temporariamente dessa área.

Aos dezessete anos, Victor se ocupa sobretudo de matemática, línguas e da instrução dos irmãos mais novos. Ernest, de saúde frágil e temperamento doce, torna-se seu principal aluno, embora tenha pouca inclinação para estudos exigentes; William, ainda bebê, é descrito com ternura como uma criança encantadora. O capítulo termina reforçando a imagem de um lar quase sem dor ou conflito, guiado pelo afeto mútuo, pela delicadeza dos pais e por uma convivência em que ninguém precisava impor autoridade, pois todos procuravam espontaneamente atender aos desejos uns dos outros.




 
 
 

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