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  • Foto do escritor: Bruno Alves Pinto
    Bruno Alves Pinto
  • 17 de nov. de 2025
  • 5 min de leitura

Atualizado: 21 de nov. de 2025


Resumom Por Capítulo: O Retrato de Dorian Gray


Capítulo II


Dorian Gray, um jovem belo e despreocupado, está sentado ao piano, encantado com uma peça de Schumann. Ele fala com leveza e graça, fazendo piadas sobre Lady Agatha e a filantropia, o que já o mostra como alguém socialmente dócil, mas ainda superficial, sem grandes conflitos internos aparentes. Quando Basil o apresenta a lorde Henry, Dorian se mostra tímido, ruboriza, e o narrador destaca sua beleza quase irreal: lábios vermelhos, olhos azuis, cabelos dourados e o ar de pureza juvenil que inspira confiança. Basil o idolatra, e lorde Henry imediatamente percebe essa beleza como algo poderoso e raro.

Logo de início surge o conflito: Basil quer que lorde Henry vá embora porque teme sua “má influência”, mas Dorian, curioso e atraído pela presença do estranho amigo, insiste para que ele fique. A diferença entre os dois homens se evidencia: Basil é recolhido, intenso e sério, concentrado na arte; Henry é irônico, sedutor, brilhante na conversa. Quando Dorian pergunta se ele tem mesmo uma má influência, Henry aproveita para lançar o primeiro grande discurso filosófico: afirma que toda influência é imoral porque faz a pessoa abandonar seus próprios pensamentos e paixões para viver os de outro, tornando-se apenas eco de uma música alheia. Segundo ele, o verdadeiro objetivo da vida é o autodesenvolvimento total, realizar a própria natureza sem repressão, mas isso é impedido pelo medo da sociedade e de Deus.

A partir daí, lorde Henry aprofunda sua filosofia hedonista (centrada na busca do prazer) e amoral: diz que somos punidos não pelos pecados, mas pelas recusas; que cada impulso reprimido volta envenenando a mente; que a única forma de se livrar de uma tentação é ceder a ela; e que os grandes pecados e acontecimentos se dão no cérebro, nas ideias e desejos. Ele insinua que o próprio Dorian, com toda a aparência de pureza, já deve ter pensamentos e paixões ocultas que o envergonhariam se fossem lembradas. Dorian fica perturbado, pede que ele pare, sente que há uma resposta possível, mas não consegue formulá-la. Fica imóvel, absorvendo aquela nova maneira de ver o mundo, como se uma corda secreta dentro dele tivesse sido tocada pela primeira vez.

O texto então enfatiza o poder das palavras. Dorian percebe que a música sempre o havia emocionado, mas de forma vaga; já as palavras de lorde Henry são claras, afiadamente precisas e quase cruéis, dando forma a sentimentos confusos que ele mal sabia ter. Ele sente que começou a entender coisas de sua infância que antes o intrigavam. É como se, de repente, a vida ganhasse cores violentas, flamejantes, e ele passasse a caminhar em um fogo de possibilidades e desejos. Henry, observando-o em silêncio, reconhece o “momento psicológico” certo de não falar mais e compara a situação à leitura de um livro decisivo que ele mesmo teve na adolescência: pergunta-se se Dorian está vivendo uma revelação parecida.

Quando Dorian se diz sufocado e pede para ir ao jardim, Henry o acompanha. Entre lilases e luz de sol, ele lança outro “segredo” de vida: nada cura a alma senão os sentidos, e nada cura os sentidos senão a alma—ou seja, a alternância entre experiências intensas e reflexões profundas seria o caminho da plenitude. Em seguida, desloca o discurso para a juventude e a beleza. Afirma que Dorian possui a coisa mais preciosa que existe: a juventude, mais importante até do que o gênio, porque não precisa de explicação; é um fato absoluto, como a luz do sol ou a lua refletida na água. A beleza, diz ele, tem um direito quase divino de soberania, torna príncipes aqueles que a possuem. Mas o tempo é ciumento e guerreia contra essa beleza: chegará o dia em que Dorian estará velho, enrugado, sem brilho nos olhos, com o corpo deformado.

Lorde Henry insiste em que a juventude dura pouquíssimo e nunca volta, ao contrário das flores que renascem a cada primavera. Ele exorta Dorian a viver intensamente, a não desperdiçar seus dias ouvindo pessoas tediosas ou sacrificando-se por causas “doentias” da época. Propõe um “novo hedonismo”: uma vida dedicada à busca de novas sensações e experiências, sem medo, em que Dorian poderia ser o símbolo vivo dessa filosofia, graças à sua beleza e personalidade. Ele pinta um quadro do futuro em que os seres humanos viram marionetes deformadas pela memória das tentações que não ousaram aceitar. Para Henry, no mundo só existe, de fato, a juventude. Dorian ouve de olhos arregalados, ao mesmo tempo fascinado e aterrorizado: desvia a atenção para uma abelha e uma flor, numa tentativa instintiva de se apegar a coisas triviais enquanto digere a gravidade do que está ouvindo.

Chamados de volta ao ateliê, eles retornam, e Basil termina o retrato. O quadro é descrito como uma obra-prima, e Henry o elogia como o mais belo retrato dos tempos modernos. Dorian, ao se aproximar e ver a própria imagem na tela, tem uma espécie de revelação narcisista: pela primeira vez toma plena consciência de sua própria beleza. E, sob o impacto recente do discurso de Henry sobre a brevidade da juventude, a visão do retrato, jovem para sempre, torna-se dolorosa. Ele compreende que seu corpo real vai envelhecer, deformar-se, perder o brilho, enquanto a imagem permanecerá perfeita. Essa percepção produz nele um golpe quase físico, como uma facada emocional; o coração parece congelar, os olhos se enchem de lágrimas.

Então vem o momento decisivo: Dorian lamenta em voz alta que ele irá envelhecer enquanto o quadro permanecerá sempre jovem. Exclama que, se fosse possível o contrário—se ele continuasse jovem e o quadro envelhecesse em seu lugar—ele daria tudo, até a própria alma, para conseguir isso. A frase surge impulsiva, mas marca, simbolicamente, um pacto íntimo, ainda que não explicitamente sobrenatural no texto. Henry responde com ironia, e Basil se choca, dizendo que se oporia a tal “arranjo”, pois seria cruel com sua obra. Dorian, tomado de um misto de ciúme e angústia, acusa Basil de valorizar mais a arte do que o amigo; diz ter inveja de tudo o que não envelhece e declara que o retrato um dia zombará dele, tornando-se um lembrete cruel de sua perda de beleza.

Basil culpa Henry por essa súbita mudança de atitude, enquanto Henry afirma que esse é apenas o “verdadeiro” Dorian emergindo. Envergonhado e desesperado, o pintor decide destruir o quadro e pega uma espátula para rasgá-lo. Nesse instante, Dorian reage com violência emocional, impede o gesto e chama isso de “assassinato”, mostrando que já vê o retrato como parte de si, quase como uma extensão de sua alma. Seu amor por essa imagem de si mesmo confirma que o narcisismo e o medo de envelhecer se enraizaram. Basil cede, afirma que o retrato pertence a Dorian desde antes de existir, e decide mandá-lo a sua casa. Henry, com seu humor cínico, tenta aliviar a tensão, fazendo piadas sobre prazeres simples como tomar chá.

Na parte final, lorde Henry convida Dorian e Basil para irem ao teatro. Basil recusa, dizendo que tem trabalho, e pede a Dorian que fique para jantar, numa tentativa de reter o amigo e protegê-lo da influência de Henry. Mas Dorian escolhe ir com lorde Henry, apesar dos pedidos quase suplicantes do pintor. Esse gesto simboliza a escolha de Dorian entre dois caminhos: o da amizade devotada e discretamente moral de Basil e o da sedução brilhante, perigosa e hedonista de Henry. Antes de partir, Basil ainda lembra Henry de um pedido feito pela manhã—que fosse cuidadoso com o rapaz—e diz que confia nele; Henry responde com ironia, confessando que nem em si mesmo consegue confiar.

O capítulo termina com a saída de Dorian e lorde Henry, deixando Basil sozinho no ateliê. Ao fechar-se a porta, o pintor joga-se no sofá, tomado por uma expressão de dor. Fica claro que ele intui ter perdido Dorian para a influência de Henry e que o retrato, que deveria ser apenas uma celebração da beleza do amigo, tornou-se o ponto de partida de um drama: o nascimento da obsessão de Dorian por sua própria juventude, o desejo de escapar ao envelhecimento e o primeiro, perigoso passo em direção à transformação de sua alma.




 
 
 

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