- 26 de jun.
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Atualizado: há 2 dias

Capítulo VII
A família passa horas de profunda tristeza aguardando o início do julgamento, marcado para as onze horas, e o protagonista decide acompanhá-los ao tribunal, onde passa a vivenciar uma verdadeira tortura psicológica. Ele se sente diretamente responsável pela iminente tragédia, ciente de que sua ambição ilegal poderá resultar na condenação de mais uma vida inocente, embora reconheça a impossibilidade de confessar a verdade sem ser rotulado como insano. Justine entra no recinto vestida de luto, exibindo uma calma visivelmente forçada e uma beleza realçada pela solenidade do momento, direcionando um olhar de afeto doloroso à família para demonstrar sua total inocência diante de uma plateia hostil.
O julgamento avança com a promotoria apresentando uma série de evidências circunstanciais contundentes, como o fato de a acusada ter passado a noite fora, ter sido vista de maneira confusa perto do local do crime, ter entrado em histeria ao ver o cadáver e, principalmente, carregar no bolso das roupas a miniatura da mãe da vítima. Enquadrada por essas provas, a jovem relata em sua defesa que passou a noite na casa de uma tia em Chêne e que, ao saber do sumiço do menino, procurou por ele até os portões de Genebra se fecharem, sendo obrigada a dormir em um celeiro. Ela justifica seu comportamento atordoado pelo cansaço e pela angústia, mas confessa não saber como a joia foi parar em seus pertences, restando-lhe apenas apelar para o depoimento de pessoas que conhecem seu bom caráter.
Diante da timidez das testemunhas de defesa devido ao horror do crime, Elizabeth pede permissão para falar e defende Justine com coragem, testemunhando sobre sua índole impecável, seu cuidado com a falecida patroa e seu amor maternal por William. Apesar de comover o tribunal, a declaração generosa acaba inflamando a indignação do público, que passa a enxergar a ré como um monstro de ingratidão. Em total desespero ao perceber que os juízes já decidiram pela condenação e que seu demônio infernal triunfou ao incriminar uma inocente, o cientista foge do tribunal em agonia. No dia seguinte, ele recebe a confirmação de que todos os votos foram desfavoráveis e descobre que Justine, surpreendentemente, confessou a autoria do assassinato, um golpe que destrói temporariamente a fé de Elizabeth na bondade humana.
A pedido da prisioneira, os primos visitam a cela sombria onde ela aguarda a execução algemada sobre a palha. Justine se lança aos pés de Elizabeth e revela que sua confissão foi uma mentira terrível, arrancada sob ameaças de excomunhão e condenação eterna feitas por seu confessor em um momento de total desamparo. Elizabeth pede perdão por ter duvidado dela e promete proclamar sua inocência, enquanto o criador do monstro permanece em um canto, sofrendo secretamente um remorso devastador que supera a própria dor da condenada. Após uma despedida dolorosa em que a ré demonstra uma resignação pacífica, os primos retornam para casa, e enquanto Elizabeth encontra consolo em saber que sua confiança na amiga não foi traída, o protagonista permanece trancado em seu próprio inferno interior, conforme conclui a autora.
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