- 26 de jun.
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Atualizado: há 2 dias

Volume I
Capítulo IV
Em uma lúgubre noite de novembro, o protagonista alcança a consumação de seus esforços ao infundir uma centelha de vida em uma criatura inanimada. O despertar do ser com seus olhos amarelados e movimentos convulsivos gera no criador uma agonia imediata, destruindo completamente a ilusão de beleza que ele pretendia moldar. O capítulo detalha a fisionomia horripilante do monstro, cuja pele enrugada mal esconde a rede de músculos e artérias por baixo, contrastando de forma aterradora com os dentes claros e os cabelos negros. Tomado por um horror e nojo sufocantes após dois anos de privação e trabalho árduo, o cientista foge para seu aposento, onde, ao cair no sono por exaustão, é atormentado por pesadelos selvagens envolvendo a morte de sua amada Elizabeth e o cadáver de sua própria mãe.
Ao despertar assustado e em suor frio, ele encontra a criatura erguendo as cortinas de sua cama, estendendo-lhe a mão e emitindo sons inarticulados com um esgar nas bochechas. O livro narra sua fuga desesperada para o pátio da residência, onde ele passa o restante da noite andando de um lado para o outro em extrema agitação, temendo a aproximação daquele ser cuja fisionomia nem Dante poderia conceber. Ao amanhecer de um dia sombrio e chuvoso, o jovem passa a vagar sem rumo pelas ruas para evitar o retorno ao seu apartamento e aliviar o peso de sua mente. Nessa caminhada errante, ele chega a uma estalagem e encontra Henry Clerval, seu grande amigo de infância que acabara de desembarcar na cidade. A presença do companheiro traz um alento instantâneo e uma alegria há muito esquecida, permitindo-lhe esquecer temporariamente a desgraça recente enquanto caminham juntos em direção à universidade.
Durante o trajeto, Clerval expressa entusiasmo por sua jornada de estudos e nota a aparência excessivamente pálida, magra e debilitada do amigo, que justifica seu estado pelo cansaço de uma ocupação recente. Ao chegarem ao alojamento, o criador entra primeiro e, tomado de calafrios pelo medo de que o monstro ainda estivesse lá, constata com imenso alívio que o apartamento está totalmente vazio. Contudo, a tensão acumulada se transforma em uma euforia histérica e descontrolada durante o café da manhã, culminando em um colapso físico quando ele imagina ser agarrado pelo espectro do ser que criou. Como reconta a autora, esse episódio dá início a uma grave febre nervosa que o confina por meses sob os cuidados dedicados e sigilosos de Clerval, que esconde a gravidade da doença da família para poupá-los. Os delírios persistentes do enfermo sobre a forma do monstro revelam ao amigo que o distúrbio nasceu de um evento real e terrível. Com a chegada da primavera, o jovem finalmente recupera a lucidez e a saúde, sendo confortado pelo companheiro, que lhe entrega uma carta de sua prima.
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