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26 de jun.
9 min de leitura

Atualizado: 13 de ago.


Frankenstein ou O Prometeu Moderno Mary Shelley

Texto Original Completo (tradução livre, em domínio público)


Volume I

Capítulo IV


Foi numa noite lúgubre de novembro que contemplei a consumação dos meus esforços. Com uma ansiedade que quase beirava a agonia, juntei os instrumentos de vida ao meu redor para infundir uma centelha de existência na coisa inanimada que jazia aos meus pés. Já era uma da manhã; a chuva batia melancolicamente contra as vidraças e minha vela estava quase no fim quando, pelo vislumbre da luz quase extinta, vi o olho amarelado e baço da criatura se abrir; ela respirou com dificuldade e um movimento convulsivo agitou seus membros.

Como posso descrever minhas emoções diante de tamanha catástrofe, ou como retratar o infeliz a quem, com dores e cuidados tão infinitos, eu havia tentado moldar? Seus membros eram proporcionais e eu havia selecionado suas feições para que fossem belas. Belas! — Santo Deus! Sua pele amarelada mal cobria a rede de músculos e artérias por baixo; seus cabelos eram de um preto lustroso e esvoaçante; seus dentes, de uma brancura perolada; mas essas exuberâncias apenas formavam um contraste ainda mais horrível com seus olhos aquosos, que pareciam quase da mesma cor que as órbitas acinzentadas em que estavam inseridos, sua tez encarquilhada e seus lábios retos e negros.

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