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  • 19 de mai.
  • 2 min de leitura


Resumo Por Capítulo: Frankenstein ou O Prometeu Moderno


Carta IV


Walton relata à irmã um acontecimento extraordinário ocorrido quando o navio ficou quase cercado pelo gelo, em meio a uma neblina espessa. Depois que a névoa se dissipou, a tripulação viu enormes planícies geladas em todas as direções e, logo em seguida, uma figura estranha: um trenó puxado por cães avançava para o norte, conduzido por um ser de aparência humana, mas de estatura gigantesca. A visão causa espanto porque eles acreditavam estar a grande distância de qualquer terra habitada, mas o gelo os impede de seguir o rastro.

Horas depois, o gelo se rompe e o navio é libertado, embora a tripulação espere até a manhã para se mover com segurança. Ao amanhecer, os marinheiros encontram outro trenó à deriva sobre um bloco de gelo, com apenas um cão vivo e um homem quase morto pelo frio, pela fome e pelo cansaço. Diferente da figura vista antes, ele é europeu. Antes de aceitar ajuda, porém, pergunta para onde o navio se dirige; só consente em subir a bordo ao saber que Walton viaja em direção ao polo norte. Sua condição é extrema: desmaia, precisa ser reanimado e passa dias sem conseguir falar.

Walton cuida do desconhecido em sua própria cabine e logo se sente profundamente atraído por ele. O homem parece arruinado pelo sofrimento, alternando expressões de ferocidade, loucura e desespero com momentos de grande doçura quando recebe algum gesto de bondade. A tripulação deseja interrogá-lo, mas Walton impede que o perturbem. Ainda assim, descobre-se que ele estava perseguindo alguém que fugira dele, aparentemente o mesmo ser gigantesco visto no trenó anterior, a quem o desconhecido chama de “demônio”. A partir daí, ele demonstra intensa ansiedade em vigiar o horizonte, temendo ou esperando reencontrar seu perseguido.

Com o passar dos dias, Walton registra que seu afeto pelo hóspede cresce. O desconhecido se recupera fisicamente, passa a frequentar o convés e revela inteligência, cultura, eloquência e gentileza. Interessa-se pela expedição de Walton, faz perguntas sobre seus objetivos e sugere melhorias úteis em seus planos, sempre sem arrogância. Ao mesmo tempo, permanece tomado por uma tristeza profunda, isolando-se em certos momentos, embora ainda seja capaz de se comover com a beleza da natureza, como o céu estrelado, o mar e as paisagens geladas.

Walton vê nele justamente o amigo que antes julgava impossível encontrar no oceano: alguém sábio, sensível e capaz de compreendê-lo. Ao falar de seu desejo por uma amizade que o orientasse, ouve do desconhecido que a amizade é possível, pois ele mesmo já teve um amigo nobre, mas perdeu tudo e não pode recomeçar. Essa dor contida aumenta ainda mais a compaixão de Walton, que passa a admirá-lo como uma criatura elevada, agora destruída pela miséria.

Por fim, o desconhecido decide contar sua história. Diz que Walton busca conhecimento e sabedoria como ele próprio buscou, e teme que a satisfação desse desejo se torne também para o capitão uma fonte de sofrimento. Afirma que sua narrativa envolverá acontecimentos aparentemente impossíveis, mas capazes de provar sua verdade pelo próprio encadeamento. Walton, dividido entre curiosidade e pena, aceita ouvi-lo e decide registrar o relato com a maior fidelidade possível, quase nas palavras do próprio homem, acreditando que esse manuscrito terá grande importância no futuro.




 
 
 

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