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Resumo Por Capítulo: A Riqueza das Nações


Livro 1

Capítulo 3


O texto explica que a divisão do trabalho depende diretamente da extensão do mercado. Como a especialização só faz sentido quando o trabalhador consegue trocar o excedente do que produz por aquilo de que precisa, mercados pequenos limitam a possibilidade de alguém se dedicar a uma única ocupação. Em lugares isolados ou pouco povoados, como o exemplo das Terras Altas da Escócia, as pessoas precisam realizar por conta própria diversas tarefas que, em regiões mais populosas, seriam feitas por profissionais especializados. Assim, um lavrador pode ter de ser também padeiro, cervejeiro e açougueiro para sua família; um carpinteiro rural faz todo tipo de trabalho em madeira; e um ferreiro do campo precisa atender a muitas funções diferentes. O texto usa o caso do fabricante de pregos para mostrar que certas atividades só se sustentam quando há compradores suficientes: ainda que um trabalhador pudesse fabricar centenas de milhares de pregos por ano, numa região remota ele talvez não conseguisse vender nem a produção de um único dia.

A partir daí, o autor mostra que o transporte por água amplia enormemente o mercado, porque permite levar grandes quantidades de mercadorias com muito menos custo do que o transporte terrestre. A comparação entre Londres e Edimburgo ilustra essa diferença: por terra, seriam necessárias muitas carroças, homens e cavalos para transportar uma quantidade de mercadorias que um único navio levaria com poucos tripulantes. Por isso, quando duas regiões só podem se comunicar por terra, o comércio tende a ficar restrito a bens muito caros em relação ao peso. Já quando há transporte marítimo ou fluvial, cidades distantes conseguem manter relações comerciais intensas, estimulando a atividade econômica umas das outras. O exemplo de Londres e Calcutá reforça que, sem navegação, o comércio entre partes longínquas do mundo seria quase impossível.

O texto afirma então que os primeiros avanços nas artes, nas manufaturas e nas atividades produtivas ocorreram naturalmente em regiões favorecidas pela navegação. Costas marítimas e rios navegáveis oferecem acesso a mercados maiores, o que incentiva a especialização e o aperfeiçoamento do trabalho. As áreas interiores, por outro lado, dependem por muito tempo apenas dos mercados vizinhos e, por isso, tendem a se desenvolver mais tarde. Esse raciocínio é aplicado também às colônias norte-americanas, cujos assentamentos teriam se concentrado principalmente junto ao litoral e aos rios navegáveis.

Em seguida, o texto relaciona a navegação ao desenvolvimento das civilizações antigas. As primeiras nações a se civilizarem teriam vivido ao redor do Mediterrâneo, um mar especialmente favorável à navegação inicial por ter águas relativamente calmas, muitas ilhas e margens próximas, o que era importante numa época em que os navegadores ainda não conheciam a bússola e temiam afastar-se da costa. Mesmo assim, atravessar o estreito de Gibraltar, chamado de colunas de Hércules, foi por muito tempo considerado uma façanha perigosa, tentada apenas tardiamente por povos navegadores experientes como fenícios e cartagineses.

O Egito aparece como exemplo central de desenvolvimento precoce favorecido pela navegação interior. O Nilo, com seus canais, teria permitido comunicação por água entre cidades, aldeias e propriedades rurais, facilitando a circulação de produtos e contribuindo para o avanço da agricultura e das manufaturas. O mesmo tipo de explicação é aplicado a Bengala, com o Ganges e outros rios, e às províncias orientais da China, onde a rede de rios e canais teria criado uma navegação interna ainda mais ampla. O texto observa que egípcios, indianos e chineses parecem ter alcançado grande riqueza mais pela navegação interior do que pelo comércio exterior.

Por fim, o texto contrasta essas regiões com áreas interiores da África e da Ásia setentrional, como a antiga Cítia, a Tartária e a Sibéria, que teriam permanecido menos desenvolvidas pela falta de condições favoráveis à navegação. Nessas áreas, o oceano congelado, a distância entre grandes rios e a ausência de entradas marítimas profundas impediam a formação de mercados amplos. O autor acrescenta que mesmo um grande rio pode ter utilidade limitada quando atravessa territórios de diferentes nações antes de chegar ao mar, pois os povos que controlam o curso inferior podem bloquear a comunicação comercial. O caso do Danúbio serve para mostrar que seu benefício para regiões como Baviera, Áustria e Hungria seria muito maior se uma delas controlasse todo o caminho até o mar Negro. Assim, o capítulo sustenta que a geografia do transporte, sobretudo a presença de mares, rios e canais navegáveis, condiciona a extensão dos mercados e, com ela, o grau de divisão do trabalho e de desenvolvimento econômico.




 
 
 

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