- 21 de ago. de 2024
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Atualizado: 30 de mai. de 2025

Romance XXXIV ou De Joaquim Silvério
Cecília Meireles aborda a traição de Joaquim Silvério dos Reis, figura central na delação da Inconfidência Mineira, evento histórico crucial na luta pela independência do Brasil. A autora compara Joaquim Silvério a Judas Iscariotes, traidor de Jesus Cristo, destacando que Silvério fez um "melhor negócio" que Judas, pois traiu não um messias, mas "um simples Alferes" – referindo-se a Tiradentes, um dos líderes da conspiração.
Na construção do poema, Meireles realça a vileza da traição de Silvério através da comparação com Judas. Enquanto Judas recebeu trinta moedas de prata, Silvério busca benefícios materiais mais substanciais: pensão vitalícia, perdão de dívidas, condecorações e privilégios. A autora sublinha o sucesso de Silvério em obter esses favores, sugerindo que sua traição é ainda mais calculada e vantajosa do que a de Judas, pois ele não enfrenta remorso, mas sim envelhece "orgulhoso e impenitente".
O contraste entre Judas e Silvério se intensifica quando Meireles destaca que Judas encontra o remorso e a morte por enforcamento, enquanto Silvério envelhece calmamente, sem arrependimento. Essa ausência de culpa e a longevidade de Silvério, envolto em "sombrios mistérios", acentuam a impunidade e a desonra que marcam sua figura histórica.
Finalmente, o poema encerra com uma reflexão mais ampla sobre os destinos humanos, contrapondo "os grandes sonhos dos homens" à "surda força dos vermes". Essa linha sugere a persistência dos ideais nobres apesar da corrupção e da traição, como os sonhos dos inconfidentes que, embora traídos, continuam a ressoar na história.
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