- 21 de ago. de 2024
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Atualizado: 30 de mai. de 2025

Romance XXXIII ou Do cigano que viu chegar o Alferes
Cecília Meireles descreve a chegada de um homem montado num cavalo rosilho, que traz consigo um pressentimento de desgraça e um destino marcado pela dualidade entre glória e tragédia. Através da perspectiva de um cigano, uma figura tradicionalmente associada à capacidade de prever o futuro, a poetisa constrói uma imagem profética e simbólica do alferes Tiradentes. A descrição do alferes como alguém que "fala e pensa como um vivo, / mas deve estar condenado" e que "deixou marcas no caminho / como de homem algemado" sugere sua inevitável captura e o destino fatal que o aguarda.
A dualidade do destino de Tiradentes é fortemente destacada, onde "metade com grande brilho, / a outra, de brilho nublado" reflete a contradição entre seu papel heroico e seu trágico fim. Esta dicotomia é uma constante na representação de Tiradentes, que foi glorificado como um mártir da liberdade e, ao mesmo tempo, sofreu uma morte ignominiosa ao ser enforcado. O poema tece uma aura de inevitabilidade ao redor de seu destino, com versos que indicam que "vai ser ferido / e vai ser glorificado" e que será "ao mesmo tempo, sozinho, / e de multidões cercado".
A figura do inimigo, "cavalga em sombra, calado", sugere a presença constante da opressão e da traição, elementos centrais na narrativa da Inconfidência Mineira. A visão do "fel e o espinho / e a mão do Crucificado" coloca Tiradentes em uma posição semelhante à de Cristo, reforçando sua imagem de sacrifício e redenção. A menção ao "cavaleiro perdido, / sem ter culpa nem pecado" evoca a inocência e a injustiça do seu destino, reforçando a tragédia pessoal e histórica de Tiradentes.
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