- 23 de ago. de 2024
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Atualizado: 30 de mai. de 2025

Romance XLIII ou Das conversas indignadas
Neste poema, a autora denuncia a corrupção e a injustiça que marcaram os processos judiciais da época. A utilização de metáforas como "trempe tem muitas pernas" sugere a multiplicidade de envolvidos no movimento e nas tramas de poder, mas, ao mesmo tempo, ressalta a seletividade e parcialidade dos governantes que decidiram os destinos dos acusados. A manipulação das testemunhas e a troca de sentenças por favores e riquezas, evidenciadas nos versos "quando escrivães e juízes trocam por vacas paridas, por barras de ouro largadas", criticam a venalidade e a falta de integridade dos responsáveis pelo julgamento.
O poema culmina na figura de Tiradentes, apresentado como um bode expiatório, um "louco" sonhador sem recursos, cuja única culpa real foi a de ter sido escolhido para pagar pelos erros e intenções de muitos outros. A narrativa mostra como ele foi isolado, sem amigos ou parentes, e a única alternativa encontrada pelas autoridades para simbolizar o castigo exemplar e, assim, dissuadir outros de seguir o mesmo caminho revolucionário.
A escolha de Tiradentes como mártir ressalta a injustiça e a desumanidade do sistema colonial, transformando-o em um herói trágico que encarna os ideais de liberdade e justiça que a Inconfidência Mineira buscava.
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