- 23 de ago. de 2024
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Atualizado: 30 de mai. de 2025

Romance XLII ou Do sapateiro Capanema
Este poema centra-se na figura do sapateiro Capanema, um personagem que simboliza a resistência e o descontentamento popular diante da opressão colonial.
Através da narrativa do sapateiro, o poema descreve um cenário de injustiça social e exploração. O trecho inicial estabelece o tom de resistência: "Estes branquinhos do Reino nos querem tomar a terra: porém, mais tarde ou mais cedo, os deitamos fora dela." Essa repetição ao longo do poema enfatiza o sentimento de revolta e a determinação de expulsar os opressores. A ambientação em uma noite fria, com a tentativa frustrada de encontrar abrigo em uma taverna, realça a precariedade e o sofrimento dos pobres, em contraste com o conforto do taverneiro.
A inclusão de elementos como a conversa sobre o fisco e as prisões reflete o clima de tensão e suspeita que permeava a sociedade mineira na época da Inconfidência. A figura do sapateiro, que inicialmente parece alheio aos eventos políticos, acaba se envolvendo de maneira inevitável, mostrando como a opressão e a resistência penetravam todas as camadas da sociedade.
A repetição do refrão, além de sublinhar o espírito de resistência, também serve para destacar a oralidade e a tradição popular, que são aspectos centrais na estrutura do "Romanceiro da Inconfidência". Cecília Meireles utiliza essas vozes populares para construir um mosaico de relatos que dão vida ao contexto histórico, sem se limitar a uma narrativa linear ou única.
A prisão do sapateiro, devido às suas palavras de revolta, demonstra como o sistema colonial reprimia qualquer manifestação de insatisfação. No entanto, mesmo encarcerado, ele mantém a esperança e a convicção na eventual libertação: "porém, mais tarde ou mais cedo, os deitamos fora dela." Essa perseverança reflete a fé no triunfo da justiça e da liberdade, temas recorrentes na obra de Cecília Meireles.
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