- 29 de ago. de 2024
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Atualizado: 30 de mai. de 2025

Romance LXXXIII ou Da Rainha morta
Cecília Meireles descreve o funeral da rainha, enfatizando o peso da história e das tradições monárquicas. A rainha mencionada é a neta de Dom João V e filha de Mariana Vitória de Bourbon, destacando sua importância e ligação com a dinastia portuguesa. A descrição detalhada dos rituais fúnebres, com procissões, ladainhas, bandeiras, cruzes, tochas, ordens de Cristo, Avis e São Tiago, e outros símbolos da nobreza, cria uma atmosfera de grande solenidade e respeito. A cena é pintada com um tom melancólico e sombrio, refletindo a decadência e a transitoriedade do poder real.
O poema também aborda a loucura da rainha, uma referência à condição mental deteriorada que, historicamente, afetou várias figuras da realeza. Meireles insere um comentário crítico sobre o fardo e a tragédia da realeza, sugerindo que a loucura e a morte são consequências inevitáveis do poder absoluto e da solidão inerente à posição de monarca. A morte da rainha simboliza o fim de um ciclo e o início de uma nova era, marcada pela transição e pela memória dos eventos passados.
No contexto do "Romanceiro da Inconfidência", este poema contribui para a narrativa maior da obra, que examina a luta pela liberdade e as complexidades do poder. A rainha morta é uma lembrança das implicações do domínio colonial e das tensões políticas que levaram à Inconfidência Mineira. Meireles usa a figura da rainha e seu funeral para refletir sobre a opressão e o desejo de mudança, conectando a morte da monarca à busca pela justiça e pela autonomia no Brasil colonial.
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