- 28 de ago de 2024
- 1 min de leitura
Atualizado: 30 de mai de 2025

Romance LXVII ou Da África dos setecentos
Neste poema, Meireles descreve a África como um lugar de sofrimento e desespero, destacando a condição dos negros que foram forçados a deixar seu continente natal. As imagens evocadas são de dor, cativeiro e morte prematura, ressaltando o impacto devastador do tráfico de escravos. A referência às "febres" como "grandes barcas movendo esbraseados remos" sugere não apenas as condições insalubres e mortais enfrentadas pelos escravos durante a travessia atlântica, mas também a desesperança e o sofrimento contínuo.
O poema também trata da luta interna dos presos, comparando-a a uma batalha com pesadelos em meio a espelhos curvos, o que pode simbolizar a distorção de suas identidades e a perda de suas raízes culturais. A saudade é descrita como uma "pena de morte" para ser cumprida em degredo, enfatizando o tormento emocional e a desconexão dos escravos com sua terra natal.
Cecília Meireles utiliza uma repetição enfática de "Ai, terras negras d'África" para reforçar a angústia e a tristeza associadas à África, vista aqui como um lugar de origem marcado por uma história trágica. Esta lamentação contínua serve para lembrar o leitor da brutalidade do colonialismo e da escravidão, ecoando o lamento dos que foram arrancados de suas casas e forçados a viver uma existência de dor e opressão.
Comentários