- 26 de ago. de 2024
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Atualizado: 30 de mai. de 2025

Romance LVI ou Da arrematação dos bens do Alferes
A poetisa Meireles descreve a arrematação dos bens do Alferes, que é uma referência a Tiradentes, um dos líderes da Inconfidência Mineira. O tom do poema é de lamentação e ironia, ao detalhar os objetos pessoais de Tiradentes que estão sendo leiloados. Cada item mencionado – o machinho castanho, as esporas, as navalhas, a tabaqueira de chifre, o relógio, a bolsa dos ferros, o canivete, o espelho, a fivela – carrega uma carga simbólica e uma história pessoal que remete à vida, ao sofrimento e à execução do inconfidente.
A narrativa é permeada por uma crítica implícita à banalidade com que se trata os bens de uma pessoa que teve uma vida marcada pela paixão e pela luta contra a opressão. O poeta utiliza uma linguagem que mistura o tom de um leiloeiro com reflexões poéticas, o que intensifica o contraste entre a materialidade dos objetos e a imaterialidade dos ideais e dos sentimentos de Tiradentes.
Os objetos leiloados não são apenas itens pessoais, mas símbolos de uma história maior de resistência e sacrifício. Por exemplo, as esporas "propalando a sanha brava / dessa história de traição" remetem à coragem e à luta de Tiradentes, enquanto o espelho que "não sentir mais a cara / de entusiasmo, dor e espanto" simboliza a ausência do herói que foi executado. A fivela, marcada "pela volta do pescocinho", remete ao enforcamento de Tiradentes, lembrando o caminho para a morte.
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