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  • 22 de jul.
  • 2 min de leitura

Resumo Por Capítulo: O Rei da Vela


1º ATO

Cena 1


Em um escritório de usura localizado em São Paulo, caracterizado por uma decoração extravagante e por divisões de prontuários que categorizam os devedores segundo o estado de suas finanças, Abelardo I aciona a campainha para dar início ao atendimento. Seu assistente, Abelardo II, paramentado com trajes de domador de feras, é encarregado de buscar o histórico financeiro de um homem de aspecto franzino e trajes modestos. O devedor identifica-se como Manoel Pitanga de Moraes e relata brevemente sua trajetória, explicando que já fora proprietário e posteriormente funcionário da Estrada de Ferro Sorocabana, tendo recorrido ao primeiro empréstimo para custear o parto de sua filha. Abelardo II localiza o dossiê na gaveta destinada aos clientes impontuais e o entrega ao chefe.

Ao examinar o histórico, Abelardo I aponta a irregularidade nos pagamentos: após liquidar um contrato de 1929, o cliente tomara um novo valor em 1931 e vinha reformando a dívida sucessivamente, até interromper o pagamento dos juros nos últimos dois meses. Diante das alegações de que a conduta fere as regras do estabelecimento, o cliente justifica seu atraso pelos impactos econômicos da Revolução de 1930 e tenta negociar um acordo de liquidação para evitar a penhora de seus bens. Ele pondera que, apesar de o valor original emprestado ser de um conto de réis, já desembolsou mais de dois contos e meio apenas em juros ao longo de dois anos e meio de pontualidade. Contudo, ao mencionar a legislação vigente contra a usura, Abelardo I reage com fúria e brutalidade, interrompendo as tratativas e ameaçando tomar-lhe todos os bens, incluindo a própria roupa do corpo, caso o cliente intente recorrer à lei.

Buscando comoção, o devedor relata a gravidade de sua situação pessoal, marcada pelo desemprego decorrente de demissões por contenção de despesas, pela doença da esposa, pela falta de alimentos em casa e pela impossibilidade de comprar sapatos para que a filha vá à escola. Ele explica que tem buscado realizar pequenos serviços de escrituração e propõe uma redução no valor do capital principal para poder quitar o débito. Abelardo I recusa veementemente a proposta, eximindo-se de qualquer responsabilidade sobre as dificuldades do devedor e argumentando que não o forçou a aceitar o dinheiro. Diante da insistência do homem, o usurário ameaça chamar a polícia para retirá-lo da sala, ao passo que o devedor acusa o sistema de proteger os crimes dos capitalistas. Abelardo I encerra o embate determinando a Abelardo II a execução imediata da dívida e a expulsão do recinto, fazendo com que o cliente se retire aos prantos, lamentando sua incapacidade de reagir diante do poder de seu opressor.




 
 
 

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