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  • 30 de out. de 2025
  • 2 min de leitura


Resumo Por Capítulo: Nebulosas

Segunda Parte

Sete de Setembro

O poema abre e fecha com um refrão laudatório ao “dia feliz” da Independência, transformando 7 de setembro em aurora redentora que desperta o amor à pátria. A voz lírica convoca o leitor a celebrar a entrada do Brasil “no fórum das nações”, e em seguida encena, com imagens grandiosas, a passagem do sono à vigília nacional: o país é figurado como um gigante adormecido “aquém do oceano”, de cabelos aos ventos, sibila que pressente o porvir. O vento pampeiro e os “délios raios” (associados a Apolo) o revigoram até o instante do despertar, quando percebe o “pulso” manietado pela escravidão e explode o brado libertário — metáfora do “novo Prometeu”, cujo fogo sacode mundos, mares e montanhas. Amazonas e Andes, personificados, anunciam a liberdade, compondo um quadro épico em que a natureza continental legitima o gesto de emancipação.

No centro da peça, a liberdade surge como figura feminina e sacra — “meiga estrela”, “rosa orvalhada”, “visão dos anjos” — que guia, consola e sela a aliança espiritual do povo. A linguagem é de apóstrofe e hipérbole, com léxico elevado e alusões clássicas (sibila, Prometeu) para enobrecer o feito político. Porém, a exaltação não é cega: o eu lírico introduz uma inflexão crítica ao afirmar que a libertação política não extinguiu outras servidões. “Não se cinge a escravidão à algema”: a nação, consagrada “no altar do futuro”, vacila sob “a escravidão dos erros” e “falso poder”. Esse contraste entre epopéia e advertência moral amplia o sentido do 7 de setembro de mero rito cívico a compromisso inacabado.

Daí o apelo para que a Liberdade proteja o “débil povo” e paire sobre o “leito fúnebre” de Xavier — referência a Tiradentes, mártir da Inconfidência —, ligando a Independência ao sangue dos que a precederam. O poema projeta então um horizonte de reconstrução: munidos de uma “crença livre” capaz de fundir grilhões, os filhos do país deverão preencher o vazio do presente com “indústria e aspirações”. A liberdade, “sacrossanta”, ungi-los-á de luz e os guiará à vitória. O fecho repete o exórdio, como se selasse liturgicamente a promessa de que a celebração do passado só se cumpre pela obra do futuro.

As epígrafes funcionam como moldura ética e teológica do poema. A de Félix da Cunha atribui à cena do Ipiranga uma intervenção providencial (“a mão de Deus”) e proclama a queda do “esteio do despotismo”, preparando a leitura da Independência como ato ao mesmo tempo político e sagrado, em consonância com a invocação de uma “aurora redentora”. A de Racine contrapõe a “injusta violência” que impõe silêncio ao povo à perenidade do nome e da glória que “um dia anuncia ao dia”, eco de salmo, sugerindo que a memória dos justos e dos mártires — como Tiradentes — não se apaga. Juntas, elas anunciam o duplo movimento do poema: a legitimação divina da liberdade e a denúncia da tirania, lembrando que a verdadeira independência exige vigilância moral e histórica.


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