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  • 26 de mar.
  • 2 min de leitura


Resumo Por Capítulo: Memórias de Martha


III


A narradora relata seu grave adoecimento, em meio a uma epidemia no cortiço, e destaca sobretudo a dedicação absoluta da mãe, que a assiste com paciência, ternura e sacrifício. Na convalescença, a menina se mostra manhosa, exigente e emocionalmente instável, pedindo a boneca de uma colega e reagindo com decepção à tentativa da mãe de agradá-la com outra. A cena revela ao mesmo tempo a fragilidade da criança, o peso da privação material e a delicadeza moral da mãe, que nunca a repreende com dureza, mesmo diante de caprichos injustos.

Depois da recuperação, o texto se desloca para o retorno à escola e mostra como a narradora começa a ganhar destaque entre as colegas e junto da professora. Ela sente prazer no pequeno prestígio que conquista, especialmente ao conduzir Rita e ao ser vista como alguém útil, paciente e promissora. Ao mesmo tempo, o capítulo registra a melancolia das mudanças no ambiente escolar, a entrada e saída de alunas, os pequenos ciúmes infantis e a formação gradual de sua autoestima. Em casa, porém, reaparece o contraste entre instrução e miséria: a mãe tenta habituá-la ao trabalho doméstico, mas percebe que a filha não leva jeito para esse destino. Quando fala de sua própria morte e da necessidade de a menina saber sustentar-se, o texto explicita a insegurança social que ronda as duas e a preocupação materna com o futuro da filha.

É nesse contexto que nasce o desejo de ser professora. A narradora escuta uma conversa entre mulheres da escola e, a partir daí, transforma o magistério numa espécie de ideal. O trecho interpreta esse impulso de forma ambígua: de um lado, ele aparece como amor ao trabalho e possibilidade de independência; de outro, nasce também da inveja, do fascínio pelo conforto, pelos espelhos, pela elegância e pela vida que ela associa às meninas mais favorecidas. A narradora adulta reconhece essa mistura sem se absolver inteiramente, mas também sem condenar a própria aspiração. O desejo de ascensão não surge como vaidade simples: ele é também uma reação ao cortiço, à humilhação e à vontade de arrancar a mãe daquele ambiente.

Na parte final, o capítulo retoma a dureza do meio em que vivem por meio do drama da família da ilhoa: a mulher é presa depois de atacar o vendeiro que corrompera seu filho com a bebida, introduzindo uma cena brutal de degradação social, violência e desespero materno. A doença do menino se revela incurável, mostrando como o vício aparece ali não como falha moral abstrata, mas como destruição concreta de um corpo pobre e de uma família já vulnerável. Em contraste com a fúria da mãe, a figura de Carolina reaparece marcada por resignação, doçura e sofrimento silencioso, cuidando de tudo mesmo doente.




 
 
 

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