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  • 19 de mai.
  • 2 min de leitura


Resumo Por Capítulo: Frankenstein ou O Prometeu Moderno


Carta II


Walton escreve à irmã de Arcanjo, onde aguarda cercado por gelo e neve enquanto prepara sua expedição. Ele já alugou um navio e reúne uma tripulação que lhe parece confiável e corajosa, mas confessa sentir uma falta dolorosa de amizade. Embora possa registrar seus pensamentos no papel, considera isso insuficiente para partilhar plenamente suas emoções; deseja alguém capaz de compreender seu entusiasmo, apoiar suas decepções e também corrigir seus excessos.

Ele reconhece em si uma natureza ardente, impaciente e romântica, agravada por uma formação irregular. Conta que passou a infância livre, lendo apenas livros de viagem, e só mais tarde percebeu a importância de uma educação mais ampla, especialmente do conhecimento de línguas. Por isso, apesar de ter vinte e oito anos e grandes ambições, julga-se menos instruído do que muitos jovens. A ausência de um amigo sensato e afetuoso lhe parece ainda mais grave porque esse companheiro poderia equilibrar sua mente e moderar seus impulsos.

Mesmo sem encontrar esse amigo ideal entre mercadores e marinheiros, Walton observa qualidades nobres em alguns homens ao seu redor. Elogia seu tenente, inglês corajoso e ambicioso, movido pelo desejo de glória, embora pouco refinado pela cultura. Também descreve o comandante do navio como alguém excepcionalmente bondoso, disciplinado sem dureza e incapaz de derramar sangue. Para provar sua generosidade, relata que ele abriu mão de se casar com uma jovem russa ao descobrir que ela amava outro homem pobre, entregando ao rival sua fazenda e seu dinheiro para ajudá-los a se unir.

Apesar das queixas, Walton assegura que sua decisão permanece firme. A viagem está apenas adiada pelo clima, e ele promete agir com prudência, sobretudo porque a segurança de outras pessoas depende dele. Ao se aproximar da partida, sente uma mistura intensa de prazer e temor diante das regiões desconhecidas para onde seguirá, evocando a “terra de névoa e neve” e brincando que não matará nenhum albatroz, referência a um mau presságio literário. No fim, pergunta-se se voltará a ver a irmã após atravessar mares imensos, mas evita encarar plenamente a possibilidade do fracasso. Pede que ela continue escrevendo sempre que puder, pois suas cartas talvez sejam o apoio de que mais precisará, e despede-se com carinho, admitindo a chance de nunca mais ser ouvido.




 
 
 

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