- 25 de mar. de 2024
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Jardim da praça da Liberdade
O poema "Jardim da Praça da Liberdade", dedicado a Gustavo Capanema, apresenta uma reflexão sobre a beleza artificial e planejada de um jardim público em contraste com a simplicidade e autenticidade dos jardins naturais do sertão. Através dessa comparação, o texto explora temas como a intervenção humana na natureza, a perda da essência natural em favor da estética formal e a nostalgia pela autenticidade da paisagem brasileira.
O poema inicia descrevendo o Jardim da Praça da Liberdade com uma linguagem que evoca uma atmosfera de delicadeza e perfeição estética: "Verdes bulindo", "Sonata cariciosa da água fugindo entre rosas geométricas", "Ventos elísios". Essas imagens sugerem um ambiente de beleza cuidadosamente planejada e mantida, onde cada elemento é parte de uma composição harmoniosa.
No entanto, o eu lírico expressa uma sensação de alienação em relação a esse jardim, percebendo-o como "tão pouco brasileiro... mas tão lindo". Essa observação destaca a dissonância entre a admiração pela beleza do jardim e a percepção de que ele não reflete a verdadeira essência da paisagem brasileira, sugerindo uma preferência por uma beleza mais autêntica e menos manipulada.
A referência aos "Pobres jardins do meu sertão" introduz uma contraposição nostálgica, evocando a imagem de uma natureza mais selvagem e menos cuidada, marcada pela indiferença do "mato crescendo" e pela simplicidade das "sempre-vivas desbotadas". Essa comparação entre os jardins urbanos e os naturais do sertão ressalta uma crítica à artificialidade e à falta de vida dos espaços verdes planejados.
O poema também faz uma crítica social ao mencionar o aviso "PROIBIDO PISAR NO GRAMADO", sugerindo que as regras e restrições impostas aos visitantes do jardim simbolizam uma desconexão ainda maior entre as pessoas e a natureza. A observação irônica sobre a "prefeitura vigilante" e o "capote preto do guarda" como uma "bandeira na noite estrelada de funcionários" amplia essa crítica, indicando uma burocratização da experiência natural.
O desfecho com a "banda preta vermelha retinta" interrompendo a doçura do jardim com um dobrado é uma imagem potente que contrasta a tranquilidade do jardim com a intrusão súbita e disruptiva da civilização e da ordem social.
"Jardim da Praça da Liberdade" é um poema que reflete sobre a beleza, a artificialidade e a humanização da natureza em contextos urbanos, contrapondo-a à simplicidade e autenticidade das paisagens naturais do sertão, e criticando as limitações impostas pela gestão urbana à livre experiência dos espaços verdes.
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