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Introdução e plano da obra
Adam Smith apresenta a ideia central de que a riqueza de uma nação vem do trabalho anual de seu povo. Tudo aquilo que a sociedade consome ao longo do ano — necessidades básicas, confortos e bens em geral — resulta diretamente desse trabalho ou daquilo que esse trabalho permite comprar de outras nações. A condição material de um país, portanto, depende da relação entre o volume produzido e o número de pessoas que precisam consumir esse produto.
O texto afirma que essa abundância ou escassez é regulada por dois fatores principais: a qualidade com que o trabalho é aplicado — isto é, a habilidade, a destreza e o bom julgamento dos trabalhadores — e a proporção entre as pessoas empregadas em trabalho útil e aquelas que não exercem esse tipo de trabalho. Smith destaca, porém, que o primeiro fator parece ser mais importante. Para mostrar isso, compara sociedades de caçadores e pescadores, nas quais quase todos trabalham, mas vivem em extrema pobreza, com sociedades civilizadas e prósperas, nas quais muitos não trabalham e ainda assim a produção total é tão grande que até trabalhadores pobres podem ter acesso a mais conforto do que qualquer indivíduo em sociedades consideradas “selvagens”.
A partir dessa comparação, o autor indica que o primeiro livro investigará as causas do aumento da produtividade do trabalho e a maneira como o produto desse trabalho é distribuído entre as diferentes classes e condições sociais. Em seguida, explica que o segundo livro tratará do capital: sua natureza, sua acumulação gradual e sua capacidade de empregar diferentes quantidades de trabalho conforme o modo como é utilizado.
Smith também anuncia que examinará como diferentes nações conduziram sua atividade econômica. Algumas favoreceram a agricultura, outras estimularam mais as manufaturas, as artes e o comércio. Ele observa que, desde a queda do Império Romano, a política europeia tendeu a beneficiar mais a indústria urbana do que a atividade rural. O terceiro livro, então, será dedicado a explicar as circunstâncias históricas que produziram essa orientação.
O texto prossegue dizendo que essas diferentes políticas econômicas deram origem a distintas teorias de economia política. Algumas exaltaram a importância da indústria das cidades; outras, a do campo. Essas teorias influenciaram não apenas estudiosos, mas também governos, príncipes e Estados. O quarto livro buscará explicar essas doutrinas e seus principais efeitos em diferentes épocas e países.
Por fim, Smith apresenta o quinto livro, voltado à renda do soberano ou da comunidade política. Nele, o autor pretende discutir quais são as despesas necessárias do governo, quais devem ser sustentadas por toda a sociedade e quais cabem apenas a grupos específicos; quais são os métodos de arrecadação possíveis e suas vantagens e desvantagens; e por que tantos governos modernos recorreram a dívidas, além dos efeitos dessas dívidas sobre a riqueza real da sociedade, entendida como o produto anual da terra e do trabalho.
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