- 4 de dez. de 2015
- 2 min de leitura
Atualizado: 30 de mai. de 2025

Décimo capítulo - A DOENÇA DO PÂNTANO
Tuahir admirava como a paisagem ao redor do ônibus sofria transformações com o tempo. Agora eles estavam em frente a um imenso pântano, de onde era possível ouvir o barulho do mar. Muidinga quis ver as águas de perto e seguiram os dois em meio ao lamaçal.
A longa caminhada invadiu a noite, quando grandes mosquitos atormentavam os caminhantes. No dia seguinte Tuahir tinha as orelhas inchadas de tanta picada e começou a sentir febre. Ele dizia que o mal-estar era devido ao barulho de pássaros que os cercavam, mas Muidinga não enxergava nenhum. O velho pendurou-se de ponta-cabeça numa árvore para ajudar seu “sangue fraco”, conforme sua mãe fazia com ele quando criança. O garoto já estava arrependido de ter saído do ônibus e Tuahir pede que o ele saia por aí espantando as aves que o incomodavam.
Muidinga caminhava pelo pântano, de forma monótona, até encontrar algumas garças muito belas. Ouve também o som de uma xigovia (flauta feita com a casca de uma fruta), tocada por um pastor que, ao se aproximar, lhe conta uma história.
Ele possuía um boi que aparentava muita tristeza. O animal tinha a visão fixa em uma garça que o rodeava e não respondia aos comandos do pastor. Certa noite o boi começou a mugir para a lua cheia e foi reduzindo de tamanho, até transformar-se numa garça. Como ave, ele encontrou-se com aquela outra para a qual antes só olhava. Dali em diante, toda noite de lua cheia o mesmo acontecia. Até que, em certo ano, a lua não apareceu por quatro meses seguidos. O boi passava as noites em sua forma original e acabou morrendo logo.
Como já era tarde, Muidinga se despediu do pastor e voltou para encontrar Tuahir. O velho tinha um novo plano: ele juntara alguns paus e montara um pequeno barco, no qual seguiriam remando até o mar. Ele pede que, caso morra, não seja enterrado na lama, pois se transformaria em peixe. Muidinga promete que, caso isso ocorra, entregará seu corpo às águas, como fizeram com Taímo.
O barquinho já desembocava em águas cercadas de areia clara quando Tuahir pede a Muidinga que lhe dê carinho e que deite ao seu lado, para aquecer seu corpo. O garoto fica receoso de estar se deitando com a morte.
Comentários