- 21 de ago. de 2024
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Atualizado: 30 de mai. de 2025

Romance XXXVI ou Das sentinelas
O poema começa descrevendo a vigilância constante a que os inconfidentes estavam submetidos. Dois homens, disfarçados de granadeiros com bigodes rapados, simbolizam a onipresença da opressão. Eles estão sempre presentes, observando de dia e de noite, em todos os lugares. Essa imagem reforça o clima de tensão e paranoia vivido pelos conspiradores, que não podiam confiar em ninguém e sabiam que estavam sendo constantemente vigiados.
O tom do poema muda para uma reflexão sobre a situação de Tiradentes. O alferes é descrito como alguém inocente, sonhador e idealista, que almeja um mundo melhor e ama seu povo. Porém, seus sonhos são inúteis, pois as sentinelas, símbolo da repressão, proliferam como ervas daninhas, ao redor de qualquer esperança de liberdade. A multiplicação das sentinelas reflete a crescente opressão e o cerco cada vez mais apertado ao redor dos inconfidentes.
A estrofe que segue aborda a desconfiança e a traição, com Tiradentes questionando Joaquim Silvério dos Reis, aquele que delatou o movimento aos portugueses. Tiradentes pergunta quem são as sentinelas e quem está por trás do golpe, mas recebe apenas o silêncio como resposta. Silvério dos Reis, descrito como um vilão prudente que se esconde nas sombras, é uma figura que representa a traição e a deslealdade que contribuíram para a queda dos inconfidentes.
A última parte do poema enfatiza a solidão de Tiradentes. Ele clama ao deserto surdo, sem obter resposta, revelando a sua impotência diante da delação. A imagem do alferes animoso, porém solitário, reforça o seu papel trágico e heroico na história da Inconfidência Mineira. Ele está presente e ciente do seu destino, mas sem poder evitar a sua prisão e subsequente execução.
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