- 16 de ago. de 2024
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Atualizado: 30 de mai. de 2025

Romance XXIX ou Das velhas piedosas
O poema reflete a habilidade de Cecília Meireles em mesclar lirismo com narrativa histórica. Utilizando um tom de aviso e advertência, a autora dramatiza a traição de Joaquim Silvério, construindo uma atmosfera de tensão e desconfiança. A repetição da expressão “Ai de quem na sua casa se deixa estar, sem supor…” enfatiza a inevitabilidade e a surpresa da traição, destacando a vulnerabilidade daqueles que não suspeitam das intenções maliciosas do traidor.
Meireles também utiliza imagens poderosas, como a "mão inimiga" que "como aranha estende com fios de tinta as teias da intriga", para criar uma metáfora visual da traição, ilustrando como as ações de Silvério prendem e enredam os inconfidentes em uma armadilha inevitável. Essa construção visual serve para reforçar a ideia de traição como um ato premeditado e minucioso, que condena injustamente figuras importantes da sociedade colonial.
A narrativa se constrói em torno da figura do traidor montado a cavalo, simbolizando a fuga e a disseminação da traição. O cavaleiro, com "um papel escrito com o maior cuidado", personifica a denúncia formal e planejada que desmorona os planos dos inconfidentes. O uso da Semana Santa como pano de fundo reforça o tema da traição através da alusão ao episódio de Judas perante Cristo.
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