- 29 de ago. de 2024
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Atualizado: 30 de mai. de 2025

Romance LXXXI ou Dos ilustres assassinos
Meireles direciona sua crítica aos poderosos da época, ironicamente chamados de "ilustres assassinos". Ela os descreve como figuras que se debruçam sobre papéis, calculando o mundo em termos monetários e legais, enquanto traçam linhas e assinaturas que selam destinos e sentenças. Utilizando uma linguagem carregada de simbolismo, ela os compara a pavões vaidosos com seus rutilantes vestidos, ostentando um poder que, paradoxalmente, os confunde e os corrompe.
A referência às "mesas" e "molduras" evoca a imagem de autoridades distantes das realidades e das consequências de seus atos, encapsuladas em seus próprios documentos e retratos. Ao conclamar essas figuras a levantarem-se e confrontarem as consequências de suas decisões, Meireles sugere um despertar para a realidade das masmorras, fortalezas e sepulturas que suas penas e assinaturas ajudaram a criar.
A crítica de Cecília Meireles é afiada, apontando a contradição entre a falsa austeridade dos poderosos e os resultados devastadores de suas ações. Ela sugere que, apesar de se autoproclamarem detentores de virtude e justiça, na verdade, são responsáveis por injustiças e sofrimentos que persistem além de suas vidas. Os "mortos mais vivos" representam aqueles que foram injustiçados e cuja memória continua a ressoar de forma crítica sobre os "titulares" e sua arrogância.
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