- 29 de ago. de 2024
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Atualizado: 30 de mai. de 2025

Romance LXXVI ou Do Ouro Fala
O poema "Do Ouro Fala" personifica o ouro, um elemento central na economia e sociedade mineira daquela época. O ouro, que fala e delira, é representado como um símbolo de poder e beleza, exaltando a figura de Dona Bárbara Eliodora, uma das personagens históricas da Inconfidência. Ao chamar a atenção para a sua nobreza e riqueza, Meireles evidencia a luxúria e a vaidade associadas ao ouro, ao mesmo tempo em que contrasta essa imagem com a dura realidade dos escravos nas minas.
A repetição da frase "Ouro Fala" ao longo do poema cria um ritmo hipnótico e reforça a presença constante e influente do ouro na vida dos personagens. Essa presença, porém, é ambígua, trazendo tanto brilho e esplendor quanto sofrimento e conspiração. Meireles faz uso dessa dualidade para destacar a corrupção e a ganância que permeavam a sociedade colonial, ao mesmo tempo em que sugere a inevitabilidade do destino trágico dos conspiradores, como Coronel Alvarenga, marido de Eliodora, que é alertado para a chegada da morte e do medo.
O poema, assim, não apenas contextualiza a riqueza material proporcionada pelo ouro, mas também os custos humanos e morais dessa riqueza. Meireles transforma o ouro em um narrador onisciente que testemunha tanto a glória quanto a desgraça daqueles que se envolvem com ele, espelhando a complexidade do período histórico que a obra "Romanceiro da Inconfidência" busca retratar. Por meio de uma linguagem rica e evocativa, Meireles oferece uma reflexão profunda sobre os valores e as consequências da busca pelo poder e pela liberdade.
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