- 28 de ago. de 2024
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Atualizado: 30 de mai. de 2025

Romance LXV ou Dos maldizentes
Meireles aborda de forma crítica e irônica a figura de Joaquim Silvério dos Reis, um dos inconfidentes que traiu seus companheiros ao delatar a conspiração para as autoridades portuguesas. O tom sarcástico é evidente quando o poema se refere aos "altos cargos" que outrora permitiam a Silvério desviar rendas do Real Erário para seu próprio benefício. A ironia está na transformação de sua fortuna: de uma posição de poder e privilégio, ele cai em desgraça, condenado e desonrado.
A repetição da frase "Assim o destino é vário" sublinha a imprevisibilidade e a ironia das mudanças na sorte de Silvério. Meireles também destaca a hipocrisia e a falsidade de muitos dos envolvidos, que "usam nomes fingidos" e se envolvem em conspirações sob o pretexto de altos ideais, mas que, no final, estão movidos por interesses pessoais. A crítica se estende a uma elite intelectual que lia autores como Voltaire ("Tanto ler o tal Voltério") mas que, na prática, estava distante dos valores de liberdade e justiça que tais leituras poderiam inspirar.
O poema reflete sobre o tema da traição e a queda moral, pintando uma imagem de decadência física e espiritual. Silvério, antes um "namorado" galante, agora é descrito como um "mísero coitado" com cabelo ralo e rosto pálido. Esta descrição física reflete sua degradação moral. A menção ao "desterro" negro aponta para a severidade da punição e a falta de redenção para aqueles que traem sua causa.
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