- 26 de ago. de 2024
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Atualizado: 30 de mai. de 2025

Romance LX ou Do caminho da forca
Este poema aborda o caminho percorrido pelo alferes Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes, até o cadafalso onde seria executado.
A autora utiliza uma linguagem rica e emotiva para descrever a caminhada de Tiradentes, construindo uma narrativa que enfatiza a solidão e o abandono do herói. O poema destaca a presença de diversas figuras da sociedade colonial, desde fidalgos e militares até mulatas e escravos, todos observando o desenrolar dos acontecimentos com uma mistura de curiosidade e distância.
A passagem em que Tiradentes caminha rumo à forca é carregada de simbolismo. O poema apresenta uma reflexão sobre a fragilidade do poder e a falsidade dos amigos e protetores, ressaltando a traição e a ingratidão daqueles que deveriam ser leais. A repetição da palavra "mesquinhas" enfatiza a crítica àqueles que, apesar de suas posições, demonstraram ser fracos e desleais. Essa crítica é dirigida tanto aos poderosos da época quanto à própria rainha Dona Maria I, cuja culpa e remorso são mencionados, destacando a impotência e a loucura que a acometem.
A presença constante da "Bandeira da Misericórdia" adiciona um tom religioso e redentor à narrativa, sugerindo a esperança de um socorro divino mesmo diante da injustiça terrena. No entanto, a certeza da execução de Tiradentes, que será "partido em quatro pedaços", destaca a brutalidade da punição e o sacrifício extremo do herói inconfidente. Este sacrifício é colocado em um contexto quase messiânico, comparando a solidão de Tiradentes à solidão do Calvário de Cristo.
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