- Bruno Alves Pinto

- 21 de ago. de 2024
- 1 min de leitura
Atualizado: 30 de mai. de 2025

Romance XXXV ou Do suspiroso Alferes
Cecília Meireles constrói o poema a partir de um refrão que expressa o desejo de retornar a Minas Gerais, terra dos inconfidentes, repetido obsessivamente pelo Alferes. Esse desejo reflete a saudade e a idealização de Minas como um lugar de liberdade e refúgio, contrastando com a realidade opressiva vivida pelos conspiradores. As descrições das paisagens mineiras, com suas lagoas, colinas, rios e montanhas, evocam uma beleza nostálgica e ao mesmo tempo um cenário de luta e resistência.
A repetição do verso "Ah! se eu me apanhasse em Minas..." ao longo do poema reforça a melancolia e o anseio do Alferes por um lugar que simboliza a esperança e a liberdade. No entanto, Meireles contrapõe essa idealização com a dura realidade da traição e da repressão, evidenciada pela presença das "sentinelas" e das "cartas de denúncia". A ambivalência entre a saudade de Minas e a desilusão com a traição e o fracasso do movimento inconfidente é um tema central no poema.
Meireles também questiona a eficácia e a sinceridade das aspirações de liberdade dos inconfidentes, perguntando "Quem morre, para dar vida? / Quem quer arriscar seu sangue?". Essas questões ecoam as dificuldades e os sacrifícios envolvidos na luta pela liberdade, destacando a tensão entre o idealismo e a realidade brutal das revoluções. A dúvida sobre o apoio e a lealdade dos amigos e aliados de Tiradentes reforça a sensação de isolamento e vulnerabilidade do Alferes, mesmo em um lugar que ele considera um refúgio.
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