- 21 de ago. de 2024
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Atualizado: 30 de mai. de 2025

Romance XXXIX ou De Francisco Antônio
Neste poema, a autora foca em Francisco Antônio, uma figura emblemática representada com ironia e crítica mordaz. A descrição inicial "tão gordo, tão gordo que vale por quatro" sugere um personagem excessivo não apenas em peso físico, mas também em seus vícios e contradições. Francisco Antônio é pintado como um homem abastado, cercado por riquezas materiais e influências familiares que se estendem "do Rio das Mortes ao Serro do Frio". Esse acúmulo de propriedades e a quantidade de escravos destacam a sua posição privilegiada na sociedade colonial.
O poema não se limita a descrever a opulência material do personagem, mas também mergulha em seu comportamento moral e político. Francisco Antônio está envolvido na conspiração da Inconfidência Mineira, demonstrando uma preocupação ambivalente sobre a "derrama" e o "levante". Sua natureza conspiratória é contrastada com sua atitude pragmática e cínica, expressa na máxima "Quem não mente não é boa gente!". Isso reflete a moral dúbia do personagem, que, apesar de estar inserido em um movimento libertário, age com astúcia e egoísmo.
A ironia presente em "É o 'Come-lhe os milhos', esplêndido e farto" e "herói, mas velhaco" sublinha a complexidade do personagem, que embora participe de uma causa nobre, o faz de maneira interesseira e oportunista. Sua eventual deportação para Angola, insinuada como um destino de exílio, sugere uma queda inevitável, um tropeço que resulta da própria natureza corrupta e contraditória do personagem.
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