- 23 de ago. de 2024
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Atualizado: 30 de mai. de 2025

Romance XLVIII ou Do jogo de cartas
Cecília Meireles utiliza a metáfora do jogo de cartas para representar a imprevisibilidade e a arbitrariedade do destino, bem como as tensões políticas e sociais do período da Inconfidência. O jogo é descrito como uma atividade contínua, independente do tempo, envolvendo pessoas de todas as classes sociais – soldados, marinheiros, camponeses, fidalgos e ministros. Essa universalidade sugere que ninguém está isento das forças maiores que determinam o curso dos acontecimentos, refletindo a ideia de que a luta pela liberdade e justiça afeta a todos.
As cartas na mesa simbolizam as decisões e ações que moldam a história, com cada partida representando confrontos e sacrifícios inevitáveis. Os "corações em sangue" e as "coroas quebradas" indicam as consequências trágicas dos conflitos, onde tanto culpados quanto inocentes sofrem. A repetição do verso "Batem as cartas na mesa" reforça a persistência desses jogos de poder e a incerteza dos resultados.
A referência a "Mesas de Queluz cobertas de ouros, paus, espadas, copas" alude ao Palácio de Queluz, uma residência real em Portugal, e ao baralho, novamente destacando a influência de forças externas e distantes nas vidas dos inconfidentes. O vento que bate no baralho e "o jogo segue outras voltas" sugere a natureza inconstante e imprevisível dos eventos históricos, bem como a manipulação por "dedos alheios", indicando a mão invisível do poder que dirige os destinos dos envolvidos.
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