- 28 de ago. de 2024
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Atualizado: 30 de mai. de 2025

Romance LXIX ou Do exílio de Moçambique
Cecília Meireles utiliza uma linguagem lírica e introspectiva para expressar o estado emocional do exilado. A imagem de uma figura que "passeia, de cabeça descoberta, sem sentir o que está perto" simboliza a desconexão e o desinteresse pelo presente, resultado do sofrimento e da saudade de um passado perdido. A referência à "Sorte" que vira o "leme rápido, de repente" ressalta a imprevisibilidade e a violência da mudança que levou o personagem ao exílio.
A visão da "morada" que "abre em sonhos a janela" e revela o "semblante belo que fora amado e cantado" sugere a memória nostálgica e idealizada da terra natal e das pessoas queridas deixadas para trás. As imagens das "águas" que esfumam "igrejas, cavalos, pontes" evocam a perda de conexão com essas memórias, enquanto a "clara lua desperta, erma e pura" sobre uma "impossível casa" simboliza a distância intransponível entre o exilado e sua terra de origem.
O poema questiona a confiança no futuro com o verso "Quem se fia no futuro?", refletindo a desesperança do exilado que se sente eternamente preso em uma terra estranha, "errante e calmo, como um homem já sem nada". A "memória, que ainda o alente", gradualmente desaparece, intensificando a sensação de perda e alienação.
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