- Bruno Alves Pinto

- 28 de ago. de 2024
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Atualizado: 30 de mai. de 2025

Romance LXIV ou De uma pedra crisólita
Meireles descreve a figura de Tiradentes, o alferes Joaquim José da Silva Xavier, que foi um dos líderes da Inconfidência Mineira e se tornou um mártir da causa. A crisólita que Tiradentes carrega na mão representa a luta frustrada pela liberdade e a pureza dos ideais dos inconfidentes. A pedra, que "não pôde ser lapidada", sugere que os sonhos e as esperanças do movimento não foram concretizados, sendo interrompidos pela repressão colonial.
O ambiente descrito no poema é sombrio e cheio de segredos, com referências à noite, à escuridão, e ao medo. Esses elementos criam uma atmosfera de tensão e conspiração, refletindo o clima de vigilância e opressão que os inconfidentes enfrentaram. A figura de Tiradentes caminhando sozinho na noite com a crisólita na mão reforça a ideia de solidão e desespero frente ao destino trágico que se avizinhava.
A captura de Tiradentes, mencionada no poema, e seu subsequente enforcamento são apresentados de forma melancólica. A crisólita, que talvez "nem crisólita fosse", simboliza as ilusões e desilusões do movimento, bem como as falsas promessas e traições. A imagem da pedra que "rolou pelo esquecimento" ressalta como a memória dos feitos heroicos e das lutas pela liberdade pode ser apagada pelo tempo e pelas forças dominantes.
O poema termina com uma reflexão sobre a incompreensão e o esquecimento ao longo do tempo, mas sugere que a crisólita, apesar de tudo, carrega uma luz que revela a verdade sobre Tiradentes e sua luta. Mesmo sendo "uma simples pedra fosca", ela é capaz de refletir a essência e o sacrifício do herói, perpetuando sua memória e sua causa.
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