- 26 de ago. de 2024
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Atualizado: 30 de mai. de 2025

Romance LIX ou Da reflexão dos justos
O poema começa destacando a ironia e a tragédia do destino de Tiradentes: "Foi trabalhar para todos... – e vede o que lhe acontece!" Ele, que se dedicou ao bem comum, agora enfrenta o abandono e o esquecimento daqueles que deveriam ser seus aliados. A solidão e a injustiça são temas centrais, sublinhados pela metáfora do Alferes "louco, – sozinho e perdido". A tristeza e o desespero de Tiradentes são evidentes na sugestão de que ele chora na masmorra, não por fraqueza, mas pela dor profunda da traição e do fracasso de seus ideais.
Cecília Meireles também questiona a lealdade e a gratidão daqueles que participaram da Inconfidência, refletindo sobre a memória e o esquecimento: "E, agora, tão deslembrados até da sua aliança!" A autora ressalta a efemeridade das esperanças revolucionárias e a dificuldade de sustentar o heroísmo diante das adversidades. A angústia do protagonista é universalizada quando a poetisa afirma que até os mais fortes e destemidos se perguntam se vale a pena sacrificar-se por uma causa quando a recompensa é a ingratidão.
A segunda metade do poema é uma meditação sobre a justiça e a memória. Meireles observa que a ambição gera injustiça e covardia, e que o sofrimento dos heróis martirizados é frequentemente esquecido. A autora critica a renúncia ao valor devido ao horror ao sofrimento e aponta para o surgimento de gerações oprimidas, que crescem à sombra de exemplos graves. A desilusão com os amigos e promessas não cumpridas é uma reflexão amarga sobre a confiança e a lealdade humanas.
O poema culmina em uma série de questões sobre o futuro da humanidade: "Que tempos medonhos chegam, depois de tão dura prova?" Cecília Meireles encerra com uma meditação sobre a natureza da nova humanidade que surgirá após tantas provações e injustiças.
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