- 26 de ago. de 2024
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Atualizado: 30 de mai. de 2025

Romance LII ou Do carcereiro
A voz lírica adota uma perspectiva crítica e pessimista em relação ao sistema judicial e à justiça da época. O poema inicia-se com os pensamentos de um carcereiro sobre um condenado Há uma antecipação de um mau fim para ele, sugerindo que ele será punido de forma pública e humilhante, "pelas ruas afora, com baraço e pregão". Essa imagem de exposição pública e punição severa reflete o clima de repressão e vingança que permeava o período histórico retratado pela autora.
O verso "Nunca lhe deram nada. Quem lhe daria agora perdão?" aponta para uma falta de compaixão e clemência na sociedade da época, onde a benevolência é rara, especialmente para os desafortunados. A desconfiança nas instituições fica clara quando o poema afirma que "Nunca o escrivão escreve o que a vítima diz" e "Não tem lei nem justiça quem nasceu infeliz", sugerindo um sistema corrompido e parcial, onde os menos favorecidos não encontram amparo.
A estrofe seguinte, ao afirmar que "A verdade não vem defender acusados", reforça a ideia de uma justiça cega e inacessível, em que a verdade é irrelevante e os acusados estão à mercê de um sistema injusto. A situação é descrita como um grande enredo repleto de falsidades, onde a incompreensão e a falta de clareza prevalecem.
O poema conclui com uma reflexão sobre a inevitabilidade do ciclo de injustiças: "A roda anda e desanda, e não pode parar. Jazem no fundo, as culpas: morrem os justos, no ar." Esse final melancólico sugere que as injustiças são constantes e cíclicas, e os verdadeiros culpados frequentemente permanecem impunes, enquanto os inocentes e justos são sacrificados.
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