Resumo Por Capítulo: Mayombe

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1 - A MISSÃO


Quatorze membros do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), que luta contra o colonialismo português, seguem pelo Mayombe, uma selva densa, com o objetivo de atacar exploradores de madeira da região.


Teoria, o professor, é um mestiço: filho de uma mulher negra com um comerciante português, e carrega este dilema em si: num mundo que divide negros e brancos, ele é o meio-termo e procura a aceitação dos que não são como ele. Cruzando o rio Lombe o professor escorrega numa pedra e fere seu joelho. O Comando, formado pelo Comissário Politico, pelo Chefe de Operações e pelo Comandante Sem Medo, sugere que Teoria aguarde o grupo cumprir a missão enquanto se recupera, mas o professor se diz forte e pronto para seguir em frente. O Comissário continua se opondo, porém o Comandante entende que Teoria tem uma motivação especial para não ceder e o Chefe de Operações concorda com ele. Teoria não é um grande guerrilheiro, nem precisava atuar como guarda, já que sua tarefa é a de professor da Base, mas insistia em participar da operações: só assim se sentiria reconhecido como parte do grupo.

Discutindo os planos para o ataque, o Comandante e o Comissário divergem na estratégia. Sem Medo defende que o assunto seja decidido pelo Comando, mas o Comissário alega que o Chefe de Operações sempre concordava com a proposta do Comandante, sendo inútil a discussão. Sem Medo sugere que o camarada aja assim por desejar tomar o posto do Comissário, mesmo sendo eles oriundos de uma mesma tribo. O Comissário lamenta que ainda haja tribalismo entre os guerrilheiros: o ideal da formação política é que os camaradas não se reconheçam como parte de uma ou outra tribo.


Lutamos reclamou com o Comandante sobre uma proposta do Verdade, que pretendia fuzilar todos os trabalhadores da extração de madeira. Muatiânvua disse que Lutamos só tinha aquela postura pois os trabalhadores eram da mesma tribo que a sua, dos cabindas, e que qualquer angolano que não estivesse com os guerrilheiros deveria ser considerado inimigo. O Comissário Político, entretanto, determinou que nenhum homem do povo deveria ser fuzilado e o Comandante comentou que Muatiânvua estava brincando, com sua postura extremista – o que era verdade.


O grupo seguia pela selva quando ouviram o ruído de uma serra. Todos pararam, menos Lutamos, que andava distraído, pensando no que o camarada Verdade havia lhe dito e em como era difícil convencer a população a se aliar aos guerrilheiros. Os homens desconfiavam que Lutamos seguia em frente para alertar os trabalhadores a fugirem, mas ao ser chamado o camarada distraído retornou.


Foram avistados dois grupos de trabalhadores: um com machados apenas e outro com uma serra, sendo acompanhado por um caminhão, guiado por um português, e um buldozer (um tipo de trator). O Comando se reuniu e Sem Medo perguntou primeiro ao Chefe de Operações qual ação ele sugeria. Sua proposta era seguir até a estrada onde poderiam armar uma emboscada contra os militares que passavam por ela. O Comissário Político defendeu o ataque imediato aos grupos que haviam encontrado, com a destruição dos veículos e a politização dos trabalhadores. O Comandante reuniu as ideias de ambos: fariam a ação contra os exploradores de madeira e depois avaliariam uma emboscada na estrada. O Chefe de Operações pediu que o Comandante ficasse de olho em Lutamos, pois ainda desconfiava que ele pretendia traí-los.


Os guerrilheiros dividiram-se em dois e colocaram o plano em prática. Raptaram os trabalhadores, garantindo que ninguém lhes faria mal, mas deixaram escapar o português, que fugiu com o caminhão. Colocaram fogo no buldozer e espalharam minas ao seu redor.


O Comando se reuniu novamente e decidiu que ficariam com os trabalhadores por um dia, caminhando em direção ao Congo, e depois os libertariam. Assim os portugueses imaginariam que o grupo estava se afastando, porém eles retornariam e fariam a emboscada na estrada. Essa estratégia faria com que acreditassem que havia mais de um grupo de guerrilheiros na região.


Reunidos para o almoço, os trabalhadores tinham maior confiança na guerrilha após descobrirem que Lutamos era da mesma tribo que eles. O Chefe de Operações, entretanto, via essa relação com desconfiança, assim como Milagre, que achava o Comandante fraco por acreditar que Lutamos estava apenas distraído quando avançava em direção a eles, mais cedo.


Durante a caminhada, que seguiu a tarde toda, os trabalhadores não fizeram qualquer tentativa de fuga, por mais que houvesse oportunidades. O Comissário aproveitou a hora do jantar para politizar aqueles homens, explicando que eles extraíam a riqueza de suas terras, com sua própria força, para enriquecer alguém que não vivia ali, que eram os colonizadores. Ao final, os trabalhadores demonstraram apoio à ação da guerrilha.


Depois o Comandante comentou com o Comissário que a sua fala o fizera lembrar-se do seminário, onde os padres diziam servir a Deus, porém eram cruéis com os jovens como ele. Foi por isso que ele deixou a ordem religiosa e se entregou a uma vida contrária a tudo o que a Igreja ensinava. No início ele sofreu por acreditar que era um pecador, mas após matar Deus, o Inferno e o medo do Inferno, sentiu-se em paz novamente. O Comissário não entendeu a relação que isso teria com seu discurso e Sem Medo apenas alegou que a promessa de liberdade àqueles trabalhadores fez com que ele pensasse nisso.


Na manhã seguinte todos os pertences dos trabalhadores foram devolvidos, porém faltava uma nota de cem escudos que havia sido retirada do mecânico. Ekuikui havia ficado com o dinheiro e chorava por não encontrá-lo. Os trabalhadores não se importaram com a falta, pois queriam logo retornar, e foram libertados.


O Comandante reuniu o grupo explicando a emboscada que fariam, lembrando que sofreriam um pouco por falta de alimento. Mesmo assim os guerrilheiros aceitaram a ação com entusiasmo, já que o alvo seria o exército colonial.


Sem Medo ainda quis resolver a questão dos cem escudos: os trabalhadores não poderiam ter a impressão que a guerrilha era formada por ladrões, portanto pediu que quem tivesse pego a nota se manifestasse, mas ninguém se moveu. Decidiu, então, que todos deveriam ser revistados, deixando o Chefe de Operações contrariado, pois considerava aquilo uma injustiça. Enquanto Lutamos era revistado o Comandante saltou no fundo do grupo, segurando o braço de Ingratidão do Tuga, que deixou o dinheiro cair: ele teve suas armas retiradas e seria julgado quando chegassem à base. O Comissário, que deveria ter guardado a nota consigo, se dispôs a retornar ao povoado para devolver o dinheiro ao seu dono.


Durante a nova caminhada o grupo parava para pescar, já que os mantimentos eram escassos. Sem Medo aproveitava estas paradas para filosofar e reparar no comportamento de seus companheiros. Chamou Teoria e contou-lhe sobre um caso de sua infância: certa vez brigara com um menino mais velho e apanhou feio, fugindo de medo. Daí em diante sentiu-se mal por sua covardia, até que concluiu que era necessário ter respeito por si mesmo enfrentar novamente o garoto. Mais uma vez ele apanhou muito, tanto que nem sentia mais os golpes, mas ainda assim não cedeu e o garoto desistiu da briga, dizendo que ele havia ganho: tornaram-se amigos desde então.


O professor ouviu compenetrado esta história e perguntou porque o Comandante a contava. Sem Medo questionou se ele costumava sentir medo e Teoria assumiu que sim, a todo o instante. O Comandante então perguntou por que ele não demonstrava isso. Teoria expôs a sua condição de mestiço, que o fazia mostrar-se corajoso para provar aos demais a sua capacidade: sozinho ele era um covarde, mas diante dos companheiros sentia necessidade de apresentar força. Sem Medo explicou que às vezes é necessário contar a alguém sobre o que se sente, para livrar-se da angústia e viver em paz – exceto se a pessoa for um escritor, pois aí tudo vai num papel e está resolvido. Essa necessidade de confissão foi explorada pelas religiões, como o cristianismo. Teoria perguntou se era possível deixar de entrar em pânico e o Comandante afirmou que o seu principal problema era a questão racial: quando ele percebesse que demonstrar o medo não o rebaixa diante dos outros, então ficaria mais tranquilo.


O professor ainda perguntou se Sem Medo nunca sentia medo, e ele explicou que às vezes sim: seu maior medo era temer a morte e perder o respeito por si próprio, pois deveria ser péssimo deixar a vida com a sensação de que toda sua história é destruída em seu último instante.


Após o almoço continuaram caminhando, enfrentando montanha, chuva e frio. Poucos conseguiram dormir no chão úmido, próximo ao rio. Milagre continuava a julgar a ação do Comandante, quanto aos cem contos, como uma injustiça: ele estava priorizando aqueles que eram de tribos próximas à sua e desmerecendo os diferentes. Para ele, o Comissário era outro que apoiava cegamente o Comandante, sempre contra o Chefe de Operações.


De manhã, após um magro desjejum, continuaram a caminhada até chegarem próximo à estrada. Foi possível ouvir as explosões das minas ao redor buldozer, para a comemoração dos guerrilheiros. O Chefe de Operações fez um reconhecimento para planejar a emboscada e todos foram posicionados.


Passaram horas sem avistarem qualquer soldado: alguns dos guerrilheiros adormeciam em posição e com a arma em punho, sendo acordados por Sem Medo, que passava de um em um, animando-os para o combate. O Comandante também não suportava a espera, que o fazia lembrar-se de Leli: ela o acusava de tê-la deixado por uma questão de orgulho. Sem Medo queria que os soldados surgissem logo para que ele despejasse toda sua angústia com os tiros de sua arma.


Finalmente surgiu o exército: rajadas de metralhadoras e explosões da bazuca dos guerrilheiros se confundiam com os gemidos dos soldados, que revidavam insanamente contra as árvores. Após fazerem muitas vítimas entre os inimigos, Sem Medo ordenou a retirada, já que não seria possível enfrentarem todos os oponentes, que eram em torno de setenta.


Encontrando-se num local combinado, tinham somente um companheiro levemente ferido e sentiram falta do Muatiânvua. O Comandante perguntou quem seria voluntário para procurá-lo, Lutamos e Ekuikui se ofereceram – desta vez Teoria não havia se pronunciado e Sem Medo percebeu aí algum progresso. Após a saída dos dois, o Comandante chamou a atenção dos demais companheiros, dizendo que ninguém mais havia se disposto a resgatar Muatiânvua pois ele era destribalizado e isso era desmoralizante. Muatiânvua logo retornou com seus dois companheiros: ele havia ficado mais tempo para contar os dezesseis corpos que haviam derrubado na estrada.


Embrenharam-se na mata, onde ouviram durante toda a noite as explosões dos morteiros dos soldados à distância. O Comissário reuniu-se com o Comandante e o Chefe de Operações para decidirem o que fazer sobre o dinheiro do trabalhador. Sem Medo achava melhor deixar o assunto para lá, já que era muito arriscado aproximar-se da aldeia, e tinha o apoio do Chefe de Operações. Mas o Comissário insistiu que era necessário causar uma boa impressão à população local e o Comandante acabou cedendo: o Chefe de Operações lideraria o restante do grupo para a Base, enquanto o Comissário, Sem Medo e mais quatro homens retornariam à aldeia pela manhã para encontrarem o mecânico quando ele saísse de sua casa.


Tudo saiu como planejado: encontraram o mecânico, que lhes contou sobre a repercussão positiva dos ataques entre os trabalhadores e recusou a devolução do dinheiro, oferecendo-o ao MPLA.


Após dezesseis hora de marcha todo o grupo estava de volta à Base. No dia seguinte ocorreu o julgamento de Ingratidão, que havia roubado o dinheiro do trabalhador. Todos os homens condenaram a atitude do companheiro e, na reunião do comando, Comissário concluiu que a única pena neste caso era a de fuzilamento. O Chefe de Operações argumentou que esta pena seria muito dura e o Comandante concordou, já que isso ainda poderia causar a revolta dos demais combatentes. O Comissário desafiou o Comandante, dizendo que ele não tinha coragem de condenar um traidor. Sem Medo reagiu com firmeza, contando que já havia matado um homem nestas circunstâncias, mas procurava não se lembrar do fato pois esta era uma situação muito triste.


Ingratidão foi condenado a seis meses de prisão. Milagre acreditava que esta era uma injustiça: o Comandante o culpava apenas por sua origem tribal.

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