Resumo Por Capítulo: Capitães da Areia

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Dora, Mãe


Após colocar Zé Fuinha para dormir, Dora foi até o Professor, que iniciaria a leitura de um livro.


Chegou Gato com uma agulha e uma linha nas mãos: ele não conseguia passar a linha pelo buraco da agulha e pediu ajuda a Dora. Ela não somente passou a linha pelo buraco, como se ofereceu para coser o que ele precisasse: o bolso do paletó, que estava gasto, e também as costas de sua camisa. Ao fazer a costura com a camisa ainda no corpo de Gato, ela acabava tocando as costas do rapaz.


A única mulher que tocava as costas de Gato era Dalva, sua amante, que o arranhava enquanto faziam amor. Mas o toque de Dora era diferente: lembrava o de sua mãe, morta ainda jovem, quando cosia suas roupas. Gato, apesar de agir como homem, dormindo com uma prostituta, vivendo de furtos, era ainda uma criança em termos de idade e lhe era gostosa a sensação de ser cuidado novamente por uma mãe. Tanto que ao final da costura ele sentenciou: “Você é mãezinha da gente agora…”. Dora sorriu. Professor compreendeu o que ele quis dizer.


Aproximou-se João Grande para ouvir a história contada pelo Professor: tratava-se de uma aventura em um navio, em que um marinheiro iniciava uma revolta contra o capitão malvado, que chicoteava seus subordinados. Chegou também Volta Seca, com um jornal na mão. Os garotos expressavam dor a cada chicotada dada pelo capitão, e sorriam a cada golpe do marinheiro que, por fim, venceu a luta. Dora acompanhava esses sentimentos, sendo observada por todos com muito amor, como se olhassem a uma mãe.

Os meninos retiraram-se, apenas Volta Seca permaneceu. Ele entregou o jornal para o professor ler e explicou para Dora que queria saber notícias de Lampião, “seu padrim”. Ao contar a história de como sua mãe era valente, assim como Lampião, Volta Seca observou que Dora também era uma mulher como sua mãe, valente.


O jornal contava que Lampião tentou invadir uma cidade, mas esta já estava preparada para o ataque. Ele precisou fugir para a caatinga e um de seus homens foi pego, teve a cabeça cortada, cuja foto estampava o jornal. Volta Seca enfureceu-se, jurou vingança: era hora de ele partir, entrar para o bando de seu padrinho. Dora questionou se ele não teria medo, e ele reafirmou sua valentia: Dora o ouvia com orgulho, assim como uma mãe se orgulha de um filho. Professor enxergava, novamente, Dora como uma mãe.


Pirulito estava sempre distante de Dora, pois acreditava que mulher era uma tentação do demônio. Ele precisava ficar cada vez mais longe de pecados para tornar-se padre. Naquela noite Dora se aproximou dele, junto de Professor, observando seu pequeno santuário e elogiando a imagem do Menino Deus que ele cultuava. Ele lhe apresentou todos seus apetrechos, quadros, terços, contou-lhe histórias de santos…


Agora Dora não parecia para Pirulito mais uma menina com seios crescendo e coxa à mostra: era como uma mulher mais velha, como uma mãe. Tanto que ele acabou lhe confessando a vontade de ser padre e, mediante a reação positiva da garota, ele ficou muito contente, oferecendo a ela, como presente, seu Menino Deus. Mais uma vez Professor enxergou em Dora a mãe, agora de Pirulito, e sentia certa inveja de sua felicidade.


Dora e Professor saíram para o areal, onde estava Pedro Bala. O líder dos Capitães comentou que ela deveria ir embora do trapiche, mas Professor a defendeu: ela era como uma mãe para todos! Assim sendo, Pedro aceitou sua permanência. Entretanto, Dora olhava para Pedro Bala não somente como uma mãe, ela tinha uma afeição especial por ele, ele era seu herói, e Pedro correspondia a essa afeição em seu sorriso. Professor percebia os olhares, e repetia para si mesmo, com voz sombria: é como mãe!

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