- Bruno Alves Pinto

- 4 de nov. de 2025
- 7 min de leitura
Atualizado: 21 de nov. de 2025
O Retrato de Dorian Gray Oscar Wilde
Texto Original Completo (em domínio público)
Capítulo XX
Era uma noite adorável, tão morna que ele jogou o casaco sobre o braço e nem sequer pôs a gravata de seda no pescoço. Enquanto caminhava para casa, fumando o cigarro, dois rapazes de fraque passaram por ele. Ouviu um sussurrar de um para o outro: "Aquele é Dorian Gray." Lembrou como costumava se alegrar quando o apontavam, ou fitavam, ou comentavam sobre ele. Estava cansado de ouvir o próprio nome agora. Metade do encanto da vilazinha onde andara tantas vezes ultimamente era que ninguém sabia quem ele era. Contara muitas vezes à moça que seduzira a amá-lo que era pobre, e ela acreditara. Dissera-lhe uma vez que era perverso, e ela rira e respondera que as pessoas perversas eram sempre muito velhas e muito feias. Que risada ela tinha! — como o canto de um tordo. E como era bonita nos seus vestidos de algodão e chapéus grandes! Não sabia de nada, mas tinha tudo o que ele perdera.
Quando chegou em casa, encontrou o criado acordado à sua espera. Mandou-o para a cama, atirou-se no sofá da biblioteca e pôs-se a rememorar algumas das coisas que lorde Henry lhe dissera.
Seria mesmo verdade que ninguém jamais podia mudar? Sentiu um desejo louco pela pureza intocada da meninice — sua meninice alva como rosa, como lorde Henry certa vez a chamara. Sabia que se maculara, enchera a mente de corrupção e dera horror à própria fantasia; que fora influência má para os outros, e experimentara uma alegria terrível em sê-lo; e que, das vidas que cruzaram a sua, foram as mais belas e promissoras as que conduziu à vergonha. Mas seria tudo irreparável? Não haveria esperança para ele?
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