- Bruno Alves Pinto

- 4 de nov. de 2025
- 11 min de leitura
O Retrato de Dorian Gray Oscar Wilde
Texto Original Completo (em domínio público)
Capítulo XVIII
No dia seguinte, ele não saiu de casa e, na verdade, passou quase todo o tempo no próprio quarto, doente de um pavor selvagem de morrer e, ainda assim, indiferente à própria vida. A consciência de estar caçado, em armadilha, rastreado, começara a dominá-lo. Se a tapeçaria estremecia ao vento, ele tremia. As folhas secas que batiam nos caixilhos de chumbo das janelas lhe pareciam suas próprias resoluções mirradas e arrependimentos em fúria. Quando fechava os olhos, via de novo o rosto do marinheiro espiando pelo vidro manchado de neblina, e o horror parecia mais uma vez pousar a mão sobre seu coração.
Mas talvez tivesse sido apenas sua fantasia que chamara a vingança para fora da noite e pusera diante dele as formas hediondas do castigo. A vida real era caos, mas havia algo terrivelmente lógico na imaginação. Era a imaginação que punha o remorso a seguir de perto os passos do pecado. Era a imaginação que fazia cada crime gerar sua ninhada disforme. No mundo comum dos fatos, os perversos não eram punidos, nem os bons recompensados. O sucesso era dado aos fortes, o fracasso empurrado sobre os fracos. Só isso. Além do mais, se algum estranho estivesse rondando a casa, os criados ou os guardas o teriam visto. Se pegadas tivessem sido encontradas nos canteiros, os jardineiros teriam avisado. Sim, fora mera fantasia. O irmão de Sibyl Vane não voltara para matá-lo. Zarpara em seu navio para afundar em algum mar de inverno. Dele, pelo menos, estava a salvo. Ora, o homem não sabia quem ele era, não podia saber quem ele era. A máscara da juventude o salvara.
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