
Capítulo XV
Dorian, poucas horas depois do assassinato de Basil, chega impecavelmente arrumado ao jantar íntimo de Lady Narborough. Ele está com os nervos em frangalhos, mas representa à perfeição o papel do jovem elegante, cortês e espirituoso, sentindo até um prazer sinistro em perceber como consegue levar uma “vida dupla”: por fora, charme e leveza; por dentro, a lembrança recente de uma tragédia horrível. Lady Narborough, uma viúva espirituosa, mundana e algo feia, o cobre de atenções e confidências; queixa-se da filha e do genro, critica a vida provinciana deles e promete que Dorian ficará ao lado dela, e não dos convidados “chatos”. A galeria de figuras presentes — o medíocre Ernest Harrowden, a exagerada e feiosa Lady Ruxton, a espalhafatosa Mrs. Erlynne, a apagada Lady Alice Chapman e o marido ruidoso — reforça a impressão de um grupo socialmente ocioso e um tanto ridículo. Dorian até se arrepende de ter ido, até saber que Lord Henry também foi convidado, o que o consola; quando Harry chega, com sua voz arrastada e encantadora, o tédio parece diminuir.
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