O Rei da Vela Oswald de Andrade
Texto Original Completo (domínio público, ortografia atualizada)
3º ATO
Cena 2
ABELARDO I — Não atenda... É o ladrão. Está telefonando para ver se eu já morri. Truque de cinema. Mas como no teatro não se conhece outro, ele usa o mesmo. Virá até aqui. Para nós o identificarmos! Olhem! (Ouve-se um ruído à direita.) É ele! Pssit! Heloísa! Para de chorar! (Silêncio absoluto, o ruído cresce, persiste. Abelardo arqueja e acompanha com enorme interesse. Sorri.) Barulho de gazua! É ele! (A porta estala. Abelardo II surge, embuçado, de casquete, exageradamente vestido de ladrão. Tirou os bigodes de domador. Traz nas mãos uma lanterna surda. Deixou o monóculo. É quase um gentleman.)
(Os mesmos e Abelardo II.)
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