
3º ATO
Cena 3
A partir da jaula escancarada, uma voz aterradora ecoa em nome do coro dos devedores insolventes, denunciando a ilusão de enriquecimento no continente americano e a ruína imposta pelo imperialismo, que reduziu os trabalhadores à miséria, à prostituição e ao suicídio. Diante do manifesto, Abelardo I, em seus momentos derradeiros, clama pela revolução e pelo uso de armas. Percebendo a morte iminente do rival, Abelardo II comemora o início de sua própria trajetória de poder, enquanto o moribundo sussurra sobre o destino que o aguarda na vala comum, uma vez que a falência dos negócios não deixou recursos nem mesmo para um sepultamento digno. Em um esforço final, Abelardo I faz seu último pedido, exigindo uma vela; Abelardo II retira então uma pequena vela de sebo do mostruário e a acende, permitindo que o agiota preserve seu título simbólico de Rei da Vela até tombar sem vida sobre o chão.
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