
3º ATO
Cena 2
Apreensivo com o toque insistente do telefone, Abelardo I instrui Heloísa a não atender à ligação, prevendo que o autor do roubo retornará ao local para certificar-se de sua morte. Pouco depois, Abelardo II adentra o escritório caracterizado como ladrão e portando uma lanterna, revelando ser o responsável pela subtração do dinheiro e das promissórias do cofre. Abelardo I o reconhece imediatamente como seu duplo e sucessor na estrutura social, encarando o próprio fim não como o término do sistema, mas como a mera substituição de um indivíduo por outro dentro de sua mesma classe. Diante do blecaute no recinto, os personagens comentam sobre a necessidade de acender velas, utilizando a cena como metáfora para a regressão econômica e a profunda dependência de um país semicolonial hipotecado ao capital estrangeiro.
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