- 27 de jul.
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1º ATO
Cena 4
Logo após mandar chamar a funcionária, Abelardo I recebe a Secretária n.º 3 e, reconhecendo a capacidade de redação da jovem, dispensa a estenografia formal para orientá-la na elaboração de uma correspondência. Em seguida, o usurário passa a assediá-la abertamente, tecendo elogios às suas longas tranças loiras e propondo um encontro no divã da sala. A secretária repele prontamente as investidas, declarando-se noiva e fiel aos seus princípios morais, e aproveita o momento para solicitar um reajuste salarial motivado pela alta da inflação e do custo de vida no país. Abelardo I recusa de imediato a concessão do aumento, advertindo a funcionária a não solicitar adiantamentos futuros e reafirmando a rigidez de seu método de trabalho.
Na sequência, o credor dita as diretrizes para uma carta confidencial dirigida a Cristiano de Bensaúde, um industrial carioca e antigo crítico literário que lhe havia proposto uma aliança contra a classe trabalhadora. Abelardo I instrui a funcionária a responder com firmeza, aconselhando o destinatário a abandonar a escrita de obras sociológicas e a adotar uma postura estritamente policial no ambiente fabril, marcada pela vigilância ostensiva, repressão à propaganda comunista e denúncia de agitadores. Para fundamentar sua visão pragmática do poder, o agiota cita como modelo a conduta do próprio Vaticano em suas negociações políticas e financeiras, ao mesmo tempo em que ironiza os salários miseráveis praticados pelo industrial por considerá-los ultrapassados.
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