- 27 de jul.
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1º ATO
Cena 6
Após a saída do intelectual Pinote, Abelardo I assegura a Heloísa que o biógrafo retornará submisso e fardado para defender os interesses da burguesia, sustentando que a manutenção da miséria é a ferramenta fundamental para colocar a classe artística e pensante a serviço da proteção do capital. Em resposta às ressalvas de Heloísa sobre a ilha que receberá e sobre o valor do matrimônio, o usurário defende a união conjugal como uma instituição extremamente útil para a preservação e transmissão das heranças de sua classe. Heloísa reconhece ter aceitado o casamento como uma transação comercial para escapar da ameaça da pobreza, admitindo que, após a derrocada financeira de sua tradicional família, sua formação aristocrática não suportou a aproximação da miséria, o que a fez admirar o calculismo frio e o cinismo com que Abelardo I prosperou em meio ao colapso geral.
Diante do questionamento de Heloísa sobre o retrato da Gioconda pendurado na sala — o qual Abelardo I define como o registro do primeiro sorriso burguês —, o agiota desdenha dos rumores que correm sobre seus crimes passados, traições e falências provocadas, alegando que o teatro moralista não impressiona mais a sociedade. Ele detalha como construiu sua fortuna ao especular com a crise do café, valendo-se de informações governamentais privilegiadas e capitais estrangeiros para adquirir fazendas arruinadas. Na sequência, Abelardo I expõe a gênese de seu poder econômico ao explorar a regressão provocada pela falência do sistema elétrico, monopolizando o mercado de velas no país e lucrando sistematicamente com a fabricação de velas para todas as finalidades, destacando em especial a cobrança sobre a vela da agonia utilizada pelos moribundos em uma sociedade de feição medieval.
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